sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Catarinense 2017: Internacional de Lages

ESPORTE CLUBE INTERNACIONAL
Fundação: 13 de junho de 1949
Cores: Vermelho e Branco
Estádio: Vidal Ramos Júnior (Municipal) - 12.000 lugares
Presidente: Cristopher Nunes
Técnico: Joel Cornelli
Ranking "BdR" 2016: 6o. lugar
Catarinense 2016: 6o. lugar



O colorado da Princesa da Serra, bem estruturado desde o seu retorno ao futebol na terceira divisão, teve um 2016 razoável. No campeonato estadual ficou em sexto, caindo duas posições em relação ao ano anterior. Já na Série D, o Inter teve a melhor participação entre os catarinenses. Após passar pela fase de grupos e eliminar o Caxias na segunda fase, acabou parando no Ituano, ficando muito próximo do acesso. O time mostrou ter encontrado um caminho para se organizar. Usa uma estratégia de montagem diferente dos outros e se dá bem.

 Exemplo é o comando técnico. Note que o colorado vai meio que na contramão de outros times do seu porte que busca, na grande maioria das vezes, um nome já rodado. Primeiro veio Mabília, que poucos sabiam do seu trabalho como técnico, e fez boa campanha. No ano seguinte, Waguinho Dias passou por Lages e deixou boa impressão. Para 2017, chegou a vez de mais um novato no Estado: Joel Cornelli, de 49 anos, que iniciou seu trabalho em 1999 quando, junto com Tite, surpreendeu o Grêmio para levar o título do Gauchão. Daí em diante, rodou pelo país e até pelos Emirados Árabes, ganhando uma oportunidade no Internacional. Boa indicação ele teve.



O time colorado tem vários nomes conhecidos de outras jornadas, como o bom goleiro Neto Volpi, qu passou pelo Tubarão na segundona, e os volantes Michel Schmoller, um dos destaques na temporada passada, e Parrudo, outro que jogou a segunda divisão no sul do Estado. Da nova leva de reforços, destacam-se o atacante Paulo Henrique, natural de Lages e que tem passagens por Atlético-MG e Paraná, e Enercino, de 29 anos, vindo do Sampaio Corrêa e com bastante rodagem pelo futebol do Nordeste.




Desta vez, o Inter não tem um Marcelinho Paraíba (que tinha contrato com o clube para este ano mas acabou indo para a Paraíba depois de uma briga na justiça), mas possui atletas que podem render bem no Estadual. Sempre rendendo bem dentro do seu estádio, o colorado vem para manter a média de boas participações no campeonato.

Catarinense 2017: Brusque

BRUSQUE FUTEBOL CLUBE
Fundação: 12 de outubro de 1987
Cores: Verde, Vermelho, Amarelo e Branco
Estádio: Augusto Bauer (particular, pertence ao CA Carlos Renaux) - 5.500 lugares
Presidente: Danilo Rezini
Técnico: Mauro Ovelha
Ranking "BdR" 2016: 7o. lugar
Catarinense 2016: 5o. Lugar


O Brusque teve um 2016 bem razoável. Mesmo perdendo pontos incríveis no campeonato estadual, conquistou uma boa quinta colocação. Na Série D, conseguiu uma classificação inédita para a segunda fase, parando no bom time do São Bento de Sorocaba, que mais tarde viria a conquistar o acesso. Desta vez, o clube não passou pelo drama de flertar com o rebaixamento. Dá pra dizer que parte desse fato pode ser creditado à continuidade do clube, que desde a segundona de 2015 conseguiu sustentar uma base, com o mesmo técnico e, logo, uma mesma lógica de trabalho. Neste ano, com a ida da Chapecoense para a Libertadores. o clube disputará pela terceira vez na história a Copa do Brasil, contra o Remo, tendo a oportunidade de pegar o Corinthians na segunda fase.

E, talvez num recorde da história do clube, o Bruscão contará com Mauro Ovelha no comando pela terceira temporada seguida. O treinador parece ter gostado de trabalhar por aqui, assim como sua presença é importante para o clube, pois fez a diretoria se mexer e elevar o padrão de contratações. O experiente técnico campeão catarinense de 2011 não mudou muito: aposta em times experientes, que marcam forte e tenham uma saída rápida. Já ouvi gente dizer que ele é ultrapassado, algo que não concordo. Depois de uma passagem conturbada no Marcílio Dias no segundo semestre do ano passado, quando enfrentou sérios problemas de estrutura da ex-diretoria do Marinheiro, ele retorna com o mesmo estilo que o consagrou no futebol catarinense.

O time do Bruscão manteve atletas do ano passado, como o zagueiro Cleyton, o interminável volante Carlos Alberto (que jogará como lateral neste ano) e o meia Eliomar. Entre os principais destaques que chegam, estão o excelente goleiro Rodolpho, campeão em 2011 com Ovelha na Chape, o zagueiro Gustavo, ex-Atlético-PR, os volantes Diogo Roque, ex-Chapecoense e Boquita, aquele mesmo ex-Corinthians, além do meia Assis, que retorna ao clube após uma passagem pelo Botafogo-PB.

Nos jogos treinos, Mauro Ovelha indica montar o time num esquema 4-2-3-1, que deu certo no último campeonato estadual. Ainda não conseguiu encontrar o "encaixe" ideal do time, mas o elenco é bom dentro do orçamento disponível do clube.



quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Catarinense 2017: Almirante Barroso

CLUBE NÁUTICO ALMIRANTE BARROSO
Fundação: 11 de maio de 1919
Cores: Verde e Branco
Estádio: Camilo Mussi (particular) - 3000 pessoas
Presidente: Hélio Orsi
Técnico: Renê Marques
Ranking BdR 2016: 14o. lugar (como SC Litoral)
Catarinense 2016: Campeão da Série B


Pra quem não acompanhou a segundona do ano passado, eis o Barroso, a grande novidade do Campeonato Estadual. Explicando sua origem em rápidas palavras: em 2015, o Sport Club Litoral, de Penha, conseguiu o acesso à Série B com a desistência do Atlético de Ibirama que acarretou na subida do Guarani de Palhoça. Com isso, abriu-se mais uma vaga e o Litoral, vice-campeão da terceirona, ganhou vaga na divisão superior. No ano passado, visando uma exposição maior, propôs uma parceria com o quase centenário Clube Náutico Almirante Barroso. Tecnicamente não é um retorno, até porque a diretoria do clube em si não apita nada na gestão do futebol. Mas, em se tratando do brasão da camisa e até do local que o clube jogará, é possível dizer que a parte alviverde do futebol itajaiense estará na primeira divisão.

O Barroso estrela a primeira polêmica do Campeonato Estadual: o campo sintético do acanhado estádio Camilo Mussi, localizado na parte central de Itajaí. Vamos aos fatos: não há nada que proíba jogos naquele campo tampouco as marcas amarelas dos campos menores (a regulamentação apenas pede que elas estejam em cores diferentes, e estão. Não serão retiradas.). O campo em si não é igual ao da Arena da Baixada. É praticamente um carpete com aqueles flocos de borracha. E isso é, com certeza, um diferencial competitivo para o Almirante. Foi ali que o time conquistou importantes vitórias para conquistar o acesso e o título da segundona. Não há nada que impeça isso. Os outros times que terão que lidar com essa dificuldade extra. Particularmente, não tenho nada contra isso, até porque campeonatos grandes possuem campo sintético, inclusive com outras marcações, como nos EUA e no Canadá.

O time barrosista terá mais uma vez no comando o ex-goleiro Renê Marques, de 39 anos, que atuou no Bahia e no saudoso Grêmio Barueri. Depois de uma passagem pelo Mato Grosso do Sul, ele assumiu o Barroso obtendo o título, despertando até interesse de outras equipes. Resolveu permanecer na região onde está adaptado e conta com moral. E é bom ressaltar que não foi só o campo que levou o time para a elite. Mesmo jogando fora de casa, ele conseguiu fazer um conjunto barato e sem estrelas dar certo.




Para se manter na primeira divisão e buscar voos mais altos, o Barroso tomou a arriscada estratégia de manter grande parte da base do time da segundona. Atletas como Buru, Rodrigo Couto, Rodolfo e Safira estão no elenco, que recebeu recentemente o reforço do veterano atacante Schwenck, de 37 anos e longa ficha de serviços prestados no futebol nacional.

Terceirizado, o futebol do Barroso não tem dinheiro para gastar a vontade. O time da Série B era bem montado, mas a realidade de 2017 é outra. Contando com um atacante que, na minha opinião, trará mais marketing do que futebol, fica complicado imaginar algo que não seja a luta para evitar o rebaixamento contra equipes mais estruturadas. A opção de jogar na grama sintética será um fardo a carregar na temporada, o bombardeio de críticas vem aí, mas poderá acabar sendo uma salvação para o Almirante, já que outros times terão que rebolar lá dentro e, segundo um jogador me confidenciou, quem não joga lá leva tempo para se adaptar.



quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Catarinense 2017: Atlético Tubarão

A partir de hoje, o Blog lança a edição 2017 das análises dos times do Campeonato Catarinense 2017. Diariamente, abordaremos cada clube, com um apanhado do seu trabalho, perfis dos principais personagens e um exercício de adivinhação sobre onde cada um pode chegar. Iniciando a série, vamos ao perfil do Tubarão, que retorna à elite com o vice-campeonato da Série B do Estadual no ano passado.


CLUBE ATLÉTICO TUBARÃO
Fundação: 14 de Abril de 2005 (como ACRE Cidade Azul)
Cores: Azul, Preto e Branco
Estádio: Domingos Silveira Gonzales (Municipal) - 3500 lugares 
Presidente: Gilmar Negro Machado
Técnico: Marcelo Mabília
Ranking "BdR" 2016: 9º lugar
Catarinense 2016: Vice-campeão da Série B


O Atlético Tubarão volta à primeira divisão cheio de expectativa, depois de colocar fim à síndrome do "quase" que durou alguns anos na segundona. Depois de bater na trave e até chegar escapar o acesso nos critérios de desempate, desta vez uma sólida campanha levou o Peixe à elite com a melhor campanha na fase de classificação. Acabou ficando com o vice, sendo superado pelo Barroso na decisão.

Chama a atenção o processo de reestruturação do clube, que chegou a passar por dificuldades há alguns anos. Hoje a gestão é terceirizada, com aporte financeiro e a filosofia de ser um clube com processos profissionalizados. O velho estádio de Vila Oficinas  (onde antigamente jogava o Ferroviário) foi remodelado, com troca total do gramado e melhoria da estrutura, que estava precisando de um maior cuidado. Os planos são ousados: o Tubarão quer subir degraus no campeonato brasileiro e fazer que a cidade de Tubarão volte a aparecer no cenário nacional 15 anos depois daquele outro Tubarão (que não tem a ver com esse) que chegou a disputar a Sul-Minas em 2002.


O clube teve uma escolha muito feliz no ano passado ao contratar Marcelo Mabília, de 44 anos, para o comando técnico. Ex-jogador do antigo Tubarão FC na década de 90, tendo passagem também pelo Figueirense, apareceu com destaque por aqui em 2015, quando fez ótima campanha com o Internacional de Lages, conquistando inclusive uma vaga na Copa do Brasil. Neste intervalo, também treinou o Tombense. Montou um time experiente para conquistar o acesso e conseguiu, com alguns dos jogadores de confiança nos tempos de serra. E, com alguns deles no elenco, tentará voos mais altos no Estadual, buscando uma vaga na Série D em 2018.



O elenco, que tem remanescentes de 2016, como o atacante Valdo Bacabal, foi reforçados com nomes conhecidos, como o colombiano Wason Rentería, aquele mesmo que passou pelo Internacional, o zagueiro Gustavo Bastos, ex-ABC e Avaí, o goleiro Luis Carlos, ex-Sport e o bom volante Ricardo Conceição, de três temporadas no Paraná Clube e uma passagem curta pela Chapecoense.

Com um orçamento que não é grande, mas também não é dos menores, o Tubarão mostra sua cara na primeira divisão com uma grande organização, pelo menos é o que dá pra ver de fora. O elenco é interessante e o técnico é bom, dando a certeza que a montagem do elenco foi bem feita. Resta ver onde irá chegar em um campeonato de nível técnico maior. A cidade azul, de tanta tradição no futebol, merece um representante à altura da sua importância.