quinta-feira, 20 de abril de 2017

A eliminação é dolorida, mas ficam boas e preocupantes observações para o futuro do JEC

O roteiro não teve o final que o torcedor do Joinville queria ver. Foi um jogo em que o tricolor teve todas as chances possíveis de evitar os penais e levar a vaga nos noventa minutos. Mas estamos falando de um time em reconstrução que tem as suas conhecidas falhas.

Assessoria JEC
Menos mal que houve como levar a decisão para os pênaltis depois de sair atrás no placar. Aí qualquer detalhe faz a diferença. Magrão é conhecido pegador de penais. Eliminação e vida que segue. Muita gente deve pensar o mesmo que eu: o time poderia ir mais longe, mas deixou uma impressão de que poderá evoluir na Série C.

Falando dos 90 minutos, o JEC mostrou o seu principal problema, mais uma vez: a qualidade no ataque. Na primeira chance, Alex Ruan chutou a grama quando estava na frente de Magrão. Logo depois, Marlyson, numa intranquilidade tremenda, perdeu na cara do gol. Teve pênalti não marcado, sim. Mas ele poderia nem fazer falta. No segundo tempo, Fabinho Santos foi mexer em um time bem postado e deu tudo errado, principalmente com o seu xará Fabinho Alves, vivendo uma péssima temporada. O Sport alugou o meio, segurou o JEC e achou um gol na qualidade de Leandro Pereira. Qualidade essa que falta, e muito, para o ataque tricolor.

Eis que Bruno Rodrigues e Caíque apareceram com destaque para criar as jogadas dos dois gols e forçar as penalidades. Não sei se eles foram treinados, mas senti que Danrlei não estava confortável no momento da sua batida. Mas, como diz a máxima, só perde pênalti quem bate. Para um time desacreditado, a inédita chegada à quarta fase da Copa do Brasil tem que ser comemorada. Colocou 2 milhões de reais no caixa do clube.

Depois de enfrentar o Brusque no domingo, o time entra em pré-temporada para a Série C. O time vai ganhar qualidade no meio com as voltas de Kadu e Renan Teixeira. Falta reforçar a armação (Eliomar, do Brusque, está chegando) e resolver o problema do ataque, que mostra intranquilidade e falta de precisão. Se a diretoria for competente nesta intertemporada, o futuro promete ser bom.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Empate em casa contra o Nacional. Difícil sim, impossível nunca

Chapecoense x Nacional reservou uma daquelas cenas que muita gente deve ter dito que "nunca viu isso em futebol". No segundo tempo, Tulio de Melo, a centímetros do gol, chuta a bola que bate na trave, caprichosamente caminha por toda a linha de gol até ser afastada pelo zagueiro do Nacional.

Ficou a decepção do resultado, uma vitória que era perfeitamente possível. Mas a situação está longe de estar resolvida, já que vejo mais qualidade na Chape do que no Nacional. Tá certo que o próximo jogo será lá no Uruguai, numa pressão desgraçada, mas se o time passar por isso, tem condição de vencer lá. Até o empate não é mal resultado, até porque a briga será pau a pau pela segunda vaga. Até porque o Lanús tem um ótimo time e deve ser o primeiro com certa tranquilidade.

Mancini usou a mesma formação da vitória sobre o Joinville, com três atacantes, colocando Tulio de Melo no segundo tempo para ter maior presença de área. É o que há de melhor no time, que pegou um jogo bem mais complicado que qualquer um no catarinense, pelo volume de jogadas fortes, pela displicência do árbitro equatoriano e pela falta de sorte no incrível lance da bola que não quis entrar.

Serve como uma espécie de aula de jogo em Libertadores, onde muitos árbitros tem um nível bem maior de tolerância. A classificação é bem possível. Se não vier, há uma caminhada na Sulamericana pela frente. Todos sabiam que não ia ser fácil. Hoje a "dificuldade copeira" foi levada a um nível bem alto.



segunda-feira, 17 de abril de 2017

Há exatos 50 anos, Perdigão conquistava o primeiro título estadual do Oeste

* Por Adalcir "Pardal" Ceccatto, de Videira
Em 16 de abril de 1967 a SE Perdigão conquistava em Joaçaba, diante do Comercial, o Campeonato Catarinense de Futebol, imortalizando assim, o alvirrubro videirense, pois aquela foi a primeira conquista de um clube do Oeste do Estado.
A história da SE Perdigão havia iniciado em 1964 quando um grupo de apaixonados por futebol, encabeçados por Flávio e Fioro Brandalise se reuniu nas dependências da Perdigão para deliberar sobre a formação de uma nova equipe, que durou apenas cinco temporadas (1965 a 1969), mas gravou seu nome na história do futebol catarinense.

A primeira diretoria, de caráter provisório foi formada por Flavio Brandalise (presidente), Silvio dos Passos (secretário) e Fioro Brandalise (tesoureiro). No dia 31 de agosto de 1.964 aconteceu a primeira assembléia geral quando foram aprovados os estatutos e a primeira diretoria composta: Moacir Brandalise (presidente), Silvio dos Passos (vice-presidente), Varteli Trancoso (tesoureiro), Sergio Vargas (secretário), Plauto Grazziotin (diretor de esportes) e Fioro Brandalise (diretor social).
A primeira competição foi o campeonato municipal diante de tradicionais equipes do município, como Alvorada, Floresta e a Associação Atlética Videirense, que há muitos anos vencia o citadino. A conquista foi de maneira invicta, credenciando a Perdigão a disputar o campeonato catarinense daquele ano, integrando o zonal Oeste e chegando a quarta colocação do estadual.
A boa colocação na competição de estreia motivou o grupo e diretoria. Em 1966 nova conquista no municipal e mais uma vez a vaga no estadual. No Grupo B (Oeste) além, da Perdigão estavam: Comercial (Joaçaba), Sadia (Concórdia), Guarani (Xaxim), Vasco da Gama (Caçador), Guaycurus (Concórdia), Cruzeiro (Joaçaba) e Atlético (Chapecó). A Perdigão terminou em primeiro, com o Comercial em segundo, garantindo os dois para o quadrangular final diante de Almirante Barroso (Itajaí) e o Metropol (Criciúma), que era o grande bicho-papão no Estado (campeão cinco vezes na década de 60).

A primeira fase do estadual foi disputada no ano de 66, mas o quadrangular final iniciou apenas no dia 12 de março de 1967 quando a Perdigão recebeu o Almirante Barroso e fez 3 a 0 sem chances ao adversário.  No dia 19 o jogo que foi considerado chave por todos os jogadores do elenco. A Perdigão foi até Criciúma enfrentar o Metropol e saiu de lá com um heróico 0 a 0. No dia 26 novo jogo no Luiz Leoni e mais uma vitória por 3 a 0, desta vez diante do Comercial.
Na abertura do returno do quadrangular final a Perdigão foi a Itajaí, mas voltou de lá com uma derrota por 2 a 0, recolocando o Barroso na disputa pelo título. No dia 09 de abril Videira parou para assistir o confronto diante do Metropol. Funcionários da Perdigão foram dispensados para acompanhar a partida e cerca de 12.000 pessoas foram ao Estádio Municipal Luiz Leoni ver a vitória por 2 a 0.
Na última rodada a Perdigão jogava no Estádio Oscar Rodrigues da Nova, em Joaçaba diante do Comercial, enquanto que em Criciúma se enfrentavam Metropol e Almirante Barroso. O scratch videirense liderava o quadrangular e dependia apenas de si para levantar o caneco.
 O jogo começou movimentado e logo  11 minutos do primeiro tempo Barra Velha abriu o marcador para os joaçabenses, mas Zinho, artilheiro do estadual naquele ano, deixou tudo igual aos 43 do primeiro tempo. No segundo tempo muito equilíbrio e jogo duro até que Barra Velha, cobrando pênalti, fez o segundo do Comercial aos 24 minutos da etapa final. A apreensão tomou conta do elenco ao final do jogo, pois diferentemente dos dias atuais a comunicação não era tão ágil assim e não se sabia o resultado do outro confronto.

Lá em Criciúma Gama fez 1 a 0 para o Metropol aos cinco minutos de jogo, mas aos seis Ubirajara deixou tudo igual. A pressão do Almirante Barroso seguiu durante todo o jogo, mas a defesa do Metropol parecia intransponível. Aos 40 minutos da etapa final, em um contra-ataque, Idésio marcou o gol da vitória dos criciumenses e, consequentemente, o gol que garantiu o campeonato catarinense de 1966 para a Sociedade Esportiva Perdigão.

CURIOSIDADES:
- A equipe transformou o Estádio Municipal Luiz Leoni em um verdadeiro alçapão. Disputou 10 partidas em casa e venceu todas, sofrendo apenas três (03) gols dentro de seus domínios. Ao todo foram 13 vitórias, 05 derrotas e 02 empates. Marcou 42 gols e sofreu 22.
- O grupo viajava para os jogos em duas kombis da empresa e normalmente era pilotada pelos próprios jogadores. Nos dias mais frios do ano era normal parar na estrada para tomar “alguma coisa” e aquecer o corpo. Nos dias chuvosos era preciso por correntes nos pneus;
- No dia 02 de julho de 1967 aconteceu o jogo da entrega das faixas de campeão. No estádio Luiz Leoni foi sorteado um fusca aos torcedores pelo apoio a equipe. O adversário era o Carlos Renaux, equipe mais velha do Estado, que não tomou conhecimento do campeão e carimbou a faixa. 2 x 1.
- Em 1967 a Perdigão disputou a Taça Brasil. Caiu na primeira fase quando enfrentou o Grêmio, campeão gaúcho e o Ferroviário, campeão paranaense. A equipe empatou os dois jogos em Florianópolis no Estádio Adolfo Konder (não foi permitido jogar em Videira) e perdeu os dois confrontos fora;
- As chuteiras da equipe eram feitas sob medida pelo próprio sapateiro da empresa e que trabalhava no curtume. Sr Cacaca, como era conhecido, colocava o pé dos jogadores sobre o couro e fazia o corte. Depois eram utilizados pequenos pregos para prender;
- Não importa para quem se pergunte. Quem fez parte do grupo ou quem acompanhou o time sempre afirma que o grande craque do time era Constante Rogério Richetti, um cerebral camisa 10, que foi o grande maestro da conquista. Debaixo da trave a segurança de Zangão também fez a diferença e quase nunca se machucava.
- A equipe que iniciou em 1965, conquistou o Estado em 66 e disputou a Taça Brasil em 67 encerrou suas atividades em 1969. Grandes jogadores passaram pela equipe, como Valdomiro que veio do Comerciário e depois foi para o Internacional de Porto Alegre, onde seria campeão brasileiro e chegaria a seleção na Copa de 74. A grande revelação da Perdigão foi Milton Flores, o Peixe, que foi zagueiro titular no período pós 66.
- O elenco da Perdigão campeã era formado por: Odenir Oseas Seemann (Zangão), Gilberto José Liberalli (Arrepio), Valter Kluser (Batoque), Antonio Carlos Gomes dos Santos (Pelé), Nilso Brandalise, Luiz Jacinto da Rosa (Galego), Walldomiro Marcinko (Adi), Osvaldo João, Caubi de Lima, Lauro Ribeiro (Cigano), Adair Dias Gonçalves (Zinho), Constante Rogério Richetti, Mario Rosário de Barros José (Barros), Rubens de Lima Machado (Carioca), Jaime Bramatti (Serramalte), Luiz Dirnei Wolker (Luizinho), Luiz Abitante (Melão), Eloacir Nascimento, José Campolino dos Passos (Torrado), Fioro Brandalise - treinador e Darcy Flores – massagista.

domingo, 16 de abril de 2017

Returno definido, foco na final. Drama só no Rebaixamento

Sirli Freitas / ACF
A Chapecoense conquista com antecedência o returno do Estadual, o mando de campo e a vantagem dos dois empates na final de uma forma até supreendente: não imaginaria que o Avaí fosse perder em casa para o Almirante Barroso e transformar a última rodada em amistosa.

A vitória sobre o Joinville veio com um ritmo mais baixo. O JEC não tinha força ofensiva,  a defesa da Chape mantinha a situação sob controle, até que Danrlei cometeu um erro infantil ao falhar em um domínio de bola. Pênalti, Reinaldo fez 1 a 0. Aí foi só administrar diante de um adversário que estava com a cabeça no jogo contra o Sport. Deu tempo para Tulio de Melo fazer mais um e fechar a conta.

Assim como o Avaí no primeiro turno, a Chapecoense garante a Taça Sandro Pallaoro sem saber o que é perder na segunda parte do campeonato. Os números comprovam a evolução de um time que ainda procurava um caminho lá no início. Nos oito jogos do returno, foram 23 gols marcados e apenas 4 sofridos. Os números falam por si.

Agora, os dois times podem se focar na final, que tem seu primeiro jogo no dia 30 na Ressacada. A Chape terá ainda a Libertadores pela frente na terça, com a certeza de que o time vem em crescimento. O Avaí precisa achar esse foco com urgência. Não dá pra tolerar o fato de um time finalista do campeonato perca para um possível rebaixado dentro de casa. De quebra, jogou fora a oportunidade de decidir o campeonato no seu estádio

Rebaixamento aberto

Já lá embaixo, a vitória do Barroso criou um fato novo. Há uma chance real do time de Itajaí escapar da segundona, mas tudo passa pelo jogo do Inter de Lages contra o Avaí na Serra. O colorado só depende dele para sacramentar sua permanência, e pesa a seu favor o fato do time de Floripa não ter interesse nenhum na partida depois de perder para o Barroso. É de se esperar que Claudinei Oliveira coloque um time totalmente reserva, criando um ambiente bem desfavorável para Barroso e Metropolitano, que precisam vencer seus jogos e contar, pelo menos, com um empate do Inter. O Metrô tem situação ainda pior, já que tem apenas três vitórias e precisa, além do resultado em Lages, que o Barroso não vença o Tubarão.

Jogo contra time reserva não é garantia de vitória. Mas sem dúvida foi uma boa notícia para o Inter. Enquanto isso, o Barroso lamenta o erro de André Back na partida contra o Figueirense, que deixaria o time fora da zona de rebaixamento na última rodada pelos gols marcados. Já o Metropolitano teve a chance da vitória sobre o Criciúma na última bola. Não aproveitou e está muito próximo da degola.