quarta-feira, 26 de abril de 2017

A dureza e os desafios do rebaixamento para Metrô e Barroso

Time rebaixado em Santa Catarina passa por uma verdadeira provação. O calendário é cruel, e a Série B do Estadual sempre acontece apenas no segundo semestre. Isso faz com que o time fique um ano sem jogar, tendo despesas com os campeonatos de base (obrigatórios pelo regulamento) até o final desta temporada. A ficha mesmo só vai cair lá pra novembro ou dezembro, quando o torcedor notar que não haverá time pra se preparar para o Estadual. É uma realidade dura, próximo a uma prisão, que cria um vácuo de tempo que não passa nunca. Neste ano, o Barroso e, principalmente, o Metropolitano, de tantos anos na primeira divisão, sentirão essa barra.

Mas onde eles erraram pra tomar esse castigo? São duas razões diferentes.

O Barroso foi prejudicado pela arbitragem naquele jogo contra o Figueirense sim, mas teve outras oportunidades para conquistar pontos. O goleiro Rodolfo foi diretamente responsável pelo empate em casa contra o Joinville e pela derrota para a Chapecoense, quando o seu time vencia por 2 a 0 e permitiu o início da virada ao tomar um frangaço. O grande erro do time de Itajaí foi acreditar que o time da segunda divisão era capaz de fazer frente na primeira. E mesmo com um investimento menor, o dinheiro seria melhor gasto com goleiro e zagueiros mais experientes, para ter uma retaguarda mais organizada. Além do mais, a supremacia no campo sintético, que foi preponderante no acesso em 2016, não se refletiu neste ano. Os outros times se prepararam para o terreno. No fim, não foi tanta vantagem assim.

Em Blumenau, a falta de dinheiro custou a vaga para o Metropolitano. É mais um capítulo de uma novela chamada "Como é Difícil fazer futebol em Blumenau".  O Presidente Pedro Nascimento, que assumiu um mandato tampão após a renúncia do seu antecessor Ivan Kuhnen, não quis fazer loucura. Gastou o que tinha no orçamento. A folha era de 80 mil reais mensais. O maior salário do time era de 8 mil. Tinha jogador do elenco profissional ganhando salário mínimo. Quando se faz um investimento assim baixo, se corre um risco. A comissão técnica que iniciou o campeonato foi montada também em cima desta platafoma. Mauro Ovelha veio e até conseguiu fazer o time render mais, mas era muito tarde. O presidente foi para a rádio e soltou as verdades. O clube deve para vários fornecedores. O dinheiro da venda do atacante Maurinho foi usado para pagar um empréstimo feito em nome da mãe do ex-presidente. Não havia renda, não havia como trazer reforços de emergência. O rebaixamento era próximo e o time não respondeu como devia.

De certa forma, o rebaixamento no estadual serve como um questionamento para as comunidades, para saber se realmente as cidades e seus torcedores querem um projeto forte. Até a próxima série B vai um bom tempo. E até lá os torcedores vão remoer muito as tristezas de uma temporada para esquecer.