sábado, 24 de junho de 2017

Conheça a segundona: Operário de Mafra

ESPORTE CLUBE OPERÁRIO DE MAFRA
Fundação: 11 de fevereiro de 2013
Cores: Preto e Branco
Estádio: 16 de Abril/ Itaiópolis (Municipal) - 2.000 lugares
Presidente: Luciana Teixeira Borges
Técnico: Edmar Heiler
Ranking "BdR" 2016: 19o. lugar
Catarinense 2016: 6o. lugar na Série B





O Operário de Mafra, na forma como se encontra, é o maior time itinerante de Santa Catarina. Ele é originário do Biguaçu, campeão da Série C do Estadual em 2011, que se transferiu para Canoinhas em 2012, com a primeira mudança de nome. Anos depois, a vaga acabou indo para Mafra, onde o atual Operário foi fundado, em fevereiro de 2013. Neste ano, nova mudança. O time deixa o estádio Pedra Amarela e mandará seus jogos perto dali, em Itaiópolis, cidade de apenas 20 mil habitantes. Depois de uma briga política que acabou em um racha com a Prefeitura, o clube resolveu mandar seus jogos no simplório Estádio 16 de Abril, com capacidade para dois mil torcedores.


O ano do Operário não está sendo fácil. Já foi alvo de críticas e até matéria no UOL sobre a situação das equipes de base, que viajam em condições complicadas para disputar o campeonato estadual, que é obrigatório segundo o regulamento da FCF. Os números impressionam: em quatro partidas, o time tomou 74 gols. A crítica foi para a Prefeitura de Mafra, que teria cortado o auxílio ao clube e forçado os atletas a pagarem sua alimentação para jogar. Falando no profissional, o Operário apareceu como um possível candidato ao acesso no ano passado. Montou uma base interessante com jogadores rodados no Estado e vinha conquistando bons resultados. Mas o dinheiro acabou, o time acabou desmontado e cheio de dívidas. Terminou em sexto lugar. O trabalho do técnico Edmar Heiler e da sua esposa, que é a presidente do clube, é hercúleo. Mesmo diante de um cenário completamente desfavorável, não desistiram e vão colocar o time para jogar, com um elenco bem modesto.

O jovem elenco tem base no time que participou da Copa Santa Catarina sub-20, onde terminou em oitavo lugar de doze clubes. Até por causa da limitação do regulamento, o elenco não será a altura daquele do ano passado, que tinha nomes conhecidos como Xipote, Leandro Branco e João Neto. O destaque do time 2017 é Pedro, lateral de 22 anos que fez base no Coritiba, com passagem pela Chapecoense. Também chegam o zagueiro Rennan, ex-Criciúma, o meia Jonathan Teixeira, ex-Brusque, e o volante Daniel, ex-Hercílio Luz e Guarani. Vale também a pena falar do goleiro, Willian, de apenas 17 anos de idade, nascido no ano 2000. O outro é Bruno, que chega por empréstimo do Avaí.

O Operário não aparece na lista dos melhores da Série B e caminha para mais um ano como coadjuvante. Confesso que me impressionei negativamente com a questão envolvendo o descaso com a base, que dá um sinal de desorganização. Mas o casal Heiler nunca desiste e vem, mais uma vez, para a segundona, desta vez em nova casa.



sexta-feira, 23 de junho de 2017

Conheça a segundona: Marcílio Dias

Está no ar mais uma tradição do Blog. Começa na próxima semana a Série B, segunda divisão do futebol catarinense, onde dez times buscarão duas vagas na elite em 2018, substituindo o Almirante Barroso e o Metropolitano. Neste ano, uma mudança importante (e que eu não concordo) no regulamento impôs o limite de 23 anos aos atletas inscritos, sendo liberados apenas cinco acima da idade.

Isso vai nivelar por baixo um campeonato profissional que vale vaga para a primeira divisão. Neste ano, temos clube estreante, outros tradicionais e até um que mudou de cidade. Vamos começar nossa série com o favorito ao acesso, que deveu muito ano passado, o Marcílio Dias. Aproveite a série!


CLUBE NÁUTICO MARCÍLIO DIAS
Fundação: 17 de março de 1919
Cores: Azul e Vermelho
Estádio: Dr. Hercílio Luz (particular) - 10.000 lugares
Presidente: Lucas Brunet
Técnico:  Hudson Coutinho
Ranking "BdR" 2016: 18o. lugar
Catarinense 2016: 8o. Lugar na Série B



2016 foi um ano para o torcedor do quase centenário Marcílio Dias esquecer. Uma diretoria trapalhona fez um péssimo trabalho e levou o clube a uma terrível antipenúltima colocação na última segundona. O ex-presidente Carlos dos Santos e seu fiel escudeiro, Egon da Rosa, montaram um grupo de baixa qualidade que começou o campeonato com quatro derrotas seguidas. A partir da eliminação do Brusque na Série D, um grupo de empresários trouxe o técnico Mauro Ovelha e mais alguns jogadores para tentar salvar o barco à deriva. Não resolveu. Não havia dinheiro, credibilidade nem estrutura para tentar o milagre. Um ano jogado fora para um ex-campeão catarinense que tem camisa e condição de estar na elite. O efeito da péssima campanha no ano passado foi a saída conturbada do ex-presidente combinada com uma eleição de conselho que foi parar até na justiça. Passada a tempestade, Carlos saiu e uma nova eleição aconteceu. O novo presidente, Lucas Brunet, jovem e cheio de ideias, é o responsável por reestruturar o clube. Vem conseguindo, com ações de marketing e obras no velho Estádio Dr. Hercílio Luz. Até agora, um trabalho que chama atenção de forma bem positiva.

Para conseguir o acesso, a nova diretoria deu bola dentro. Dois profissionais experientes comandam a montagem do elenco, que tem que superar a limitação da exigência do sub-23. Tonho Gil, ex-técnico de várias equipes no Estado, é o superintendente de futebol. E para o comando técnico, o marinheiro contratou Hudson Coutinho, profissional de competência reconhecida no Estado, que vem de um bom tempo de serviços prestados no Figueirense, onde chegou a ser técnico por um período. Aos 44 anos e com uma outra boa passagem no Guarani de Palhoça, o treinador montou um elenco com jogadores de sua confiança, muitos jovens com passagem pelo profissional de grandes equipes.


Diante da limitação do regulamento, o Marcílio não tinha como ir ao mercado e montar o time que quisesse. Mas dentre os acima da idade, destacam-se o zagueiro Rogélio, ex-Brusque, Avaí e Criciúma, e o meia Rodrigo Couto, que disputou o último catarinense pelo Almirante Barroso. Dos jovens, destacam-se o lateral André Krobel, revelado no Joinville (e pivô do tapetão que deu o título estadual ao Figueirense em 2015) e o meia Leo Lisboa, ex-Figueirense. Ambos os dois, mais alguns atletas, são ligados ao Tombense.

O Marcílio montou um bom time e boa estrutura para a segundona, bem diferente da tragédia do ano passado. Terá a possibilidade de arrancar bem no campeonato, jogando as cinco primeiras partidas em Itajaí (Jaraguá e Barra mandarão seus jogos no estádio Camilo Mussi, do Almirante Barroso). Pode ser o pontapé inicial para a volta à primeira divisão. Dessa vez, bem mais arrumado.


quinta-feira, 22 de junho de 2017

Diego e Guerrero esmagam a Chapecoense

Gilvan de Souza / Flamengo
No primeiro tempo, só deu Flamengo, no segundo, um erro do goleiro Thiago até deu uma esquentada no jogo. Mas as falhas da defesa da Chapecoense voltaram a aparecer, e à granel: mais cinco gols tomados que transformam o time na segunda pior defesa do campeonato, a frente apenas do Vasco.

A verdade é que a vitória, da forma que aconteceu, é a segunda do Flamengo na Ilha do Urubu, que pode se transformar numa arma rubro-negra na temporada. A torcida muito próxima, sem alambrados (engraçado, em SC a PM diz que não pode) intimida. Hoje, o time buscou energia depois de uma falha de Thiago que poderia custar caro.

Diego jogou muito, participou de quatro dos cinco gols, fazendo dois. Temos aqui uma dupla que vai fazer muito no resto do ano, e a Chapecoense pagou o pato. Pior, tem uma zaga exposta, que já mostrou falhas de acompanhamento e, principalmente, de bola aérea, que criam grande preocupação. Esse precisa ser o foco nos próximos dias. Melhor, o foco deveria ser "retomar o foco". No início do campeonato, esse posicionamento não era tão ruim. Acabou descambando de uma forma extremamente perigosa.

O Flamengo ganha gás para arrancar e tentar algo mais para cima. Já a Chapecoense precisa fazer uma autoanálise. Há ainda uma gordurinha que o deixa afastado do desespero. Só que essa terapia precisa ser rápida, já que no domingo tem um Atlético-MG precisando muito da vitória.



Nada deu certo para o Avaí

Jamira Furlani / Avaí FC
A derrota do Avaí para o Fluminense vai ficar marcada pelos erros de Kozlinski, o gol contra e o desvio de Maicon que resultaram em gols. Foi o que definiu o jogo. Mas por trás disso existem mais fatores.

É preciso constatar que o Flu controlou o jogo. A diferença nas médias de idade pesou e o tricolor voou pra cima do Avaí. O erro bisonho de Kozlinski ajudou a definir um quadro que poderia se desenhar de uma forma, digamos, normal: havia uma grande diferença técnica. Além disso, o gol serviu como um duro golpe. Se o time avaiano foi para o jogo com uma motivação, algum gás novo, talvez com a estreia de um jogador experiente como Maicon, foi tudo para longe em dois erros. No primeiro, algo inconcebível para um goleiro de Série A. E no segundo, um cruzamento em que facilmente poderia ser afastado pelo camisa 1. Não foi. E Maicon, sentindo a falta de ritmo de jogo, fez contra. Claramente o time foi abatido para o vestiário. Não haveria reação.

No segundo tempo o Fluminense apenas tratou de administrar, com seu preparo físico muito melhor. Ainda saiu o terceiro gol, em um desvio de Maicon que matou o goleiro e que teve a cena de Rômulo dando o dedo na cara de Juan. Dá pra ver que o clima do jogo foi sinistro.

Não tinham desculpas para o técnico dizer se não trabalhar, trabalhar e trabalhar. Ele vai trocar o goleiro titular para apagar parte do incêndio e buscar a receita mágica para recuperar o time no técnico e psicológico. Joel chegou, estreou e já mostrou mais qualidade no ataque que qualquer um do elenco. Mas é pouco, muito pouco.


quarta-feira, 21 de junho de 2017

Protestos e problemas que intensificam a crise no Figueirense

O Figueirense deu ao técnico Marcelo Cabo uma amostra do tamanho do problema a ser enfrentado. O time que quase foi rebaixado no estadual, remontado para a Série B com um início promissor, voltou à vala comum e hoje está merecidamente presente na zona de rebaixamento, com derrotas doloridas em casa para o Boa Esporte e, agora, para o Luverdense.

O jogo foi maluco no primeiro tempo, com defesas abertas e muitos gols. No segundo, como era de se esperar, o ritmo baixou e o time do Mato Grosso segurou bem a barra. Mais uma derrota, protestos e mais protestos.

A situação alvinegra não é fácil mas está longe de ser desesperadora. Duas vitórias já devolvem o time pra zona intermediária (bem longe de título, como um jornal sugeriu ontem). Marcelo Cabo precisa resolver a desorganização por etapas: primeiro, dar um mínimo de confiabilidade para a zaga, que não se entende e também foi atingida pelo problema envolvendo Marquinhos. Ali está o pior problema. A partir daí, dá pra se preocupar mais para a frente.

Não há muito tempo para isso. Até porque a paciência do torcedor acabou faz tempo. A diretoria precisa se mexer e botar a mão no bolso para qualificar.


terça-feira, 20 de junho de 2017

Libertadores com final única, jamais

A Conmebol está empenhada em transformar a Libertadores em Champions League.

Pensa em fazer final em jogo único. Antes, poderia se preocupar em organização, segurança nos estádios, punições mais justas. Enquanto estádios sulamericanos tiverem que contar com policial com escudo ou com funcionário segurando guarda-sol para proteger cobrança de escanteio, o torneio está bem longe de virar padrão.

Vamos ao assunto da final em jogo único. Neste ano, a Liga dos Campeões realizou sua final em Cardiff, no País de Gales. Na tarde do jogo, milhares de torcedores tomaram um trem-bala de Londres para o local do jogo. De lá, muita gente veio da França, através do Eurotúnel. Por via aérea, sobram opções para os principais aeroportos do planeta, com centenas de companhias para todos os gostos.

Agora, imagine uma decisão entre um clube brasileiro e um argentino em Lima, capital do Peru. Não há uma ligação terrestre fácil, não existe uma gama tão grande de voos para lá, assim como os preços não são nada convidativos. Dificilmente o estádio contaria com torcedores dos times. Seria jogar para uma plateia de neutros que oportunamente escolheriam os times pra torcer.

Se fosse final com dois brasileiros, então, o contrassenso é maior ainda.

Tem coisa que não dá pra copiar. A América do Sul não conta com a logística avançada que a Europa tem. Não seria fácil pra vender, nem pra levar os torcedores. Ideia pra se esquecer.

Em alguns aspectos dá pra tentar copiar a Europa. Outras, melhor deixar assim. Temos mais vocação pra cimentão do que cadeira de Arena.