quarta-feira, 5 de julho de 2017

Conheça a segundona: Concórdia


CONCÓRDIA ATLETICO CLUBE
Fundação: 2 de março de 2005
Cores: Vermelho, Verde e Branco
Estádio: Domingos Machado de Lima (Municipal) - 8.000 lugares
Presidente: Jonas Guzzatto
Técnico: Gilmar Silva
Ranking "BdR" 2016: 11o. lugar
Catarinense 2016 : 3o. Lugar na Série B



O Galo do Oeste vem para mais uma temporada atrás do acesso. No ano passado, o time então treinado por Celso Rodrigues terminou a segundona em terceiro lugar, a cinco pontos do Almirante Barroso. Montou uma base com jogadores emprestados da Chapecoense que ficou bem próximo de chegar lá. Nesta temporada, outro resultado bem interessante. O time da capital do trabalho chegou à semifinal da Copa Santa Catarina sub-20, sendo eliminado pelo Criciúma, que viria a ser o grande campeão. Fazer futebol em Concórdia não é fácil. Os públicos não são dos maiores, a mídia local não dá muita bola (ninguém transmitiu a estreia do time) e existe a forte concorrência do time de futsal, que disputa a Liga Nacional (e faz péssima campanha, com a última colocação na primeira fase, onde apenas um time é eliminado).

O técnico do CAC é Gilmar Silva, natural de Rio do Sul e que, no ano passado, dirigiu o sub-20 do Ceará. Aliás, sua maior experiência é justamente comandando equipes de base. Em cima disso, comandou o time na Copinha sub-20 já com a missão de montar o grupo para tentar o acesso em 2017. Iniciou carreira no Atlético de Ibirama e passou por vários clubes no Estado, com o JEC e o Juventus de Jaraguá. Num primeiro momento, priorizou os jovens para a segundona, mas a derrota na estreia e a liberação de idade podem mudar alguns planos.




O time perdeu na primeira rodada para o Barra, fora de casa, e anunciou vários reforços para dar um ganho de qualidade na sequência da competição. Como o regulamento é diferente do ano passado, permitindo a classificação de quatro times, deixa um tempo para recuperação. Um dos reforços é o volante Buru, que disputou o Estadual deste ano pelo Almirante Barroso. Também chegam o atacante Marcos Paulo, ex-Grêmio, o lateral-esquerdo Jefinho, do Internacional de Lages, o lateral-direito Ramon, ex-Tubarão, e o volante Doda, do Horizonte-CE.

Dentro das suas limitações, o Concórdia montou um elenco para brigar pelas semifinais e, se encaixar, lutar pelo acesso. O restrospecto do time é razoável, sempre montando times que chegam próximo do objetivo. É candidato a chegar entre os quatro primeiros. Se vai conseguir o acesso, é outra história.

O desmoronamento do "Estilo Chapecoense"

Aqui neste Blog existem várias menções, e quem quiser que busque, ao estilo administrativo da Chapecoense, consagrado pelo saudoso e brilhante dirigente Sandro Pallaoro. Com maior força depois da tragédia de novembro passado, todos ficaram sabendo da forma de trabalho do clube e a forma como lidavam com seus técnicos.

A saída de Vagner Mancini, criticada pela maioria dos torcedores e que criou um bombardeio de críticas que há tempo não via em situação semelhante, me coloca uma dúvida: estaria desmoronando aquele estilo de administração da velha Chape?

Primeiro, é bom mencionar que Rui Costa não é "da raiz" do clube, vindo de fora com uma difícil missão e, vamos admitir, com um trabalho bem feito em tempo exíguo. Ganhou o título estadual e, no campo, obteve uma vaga na segunda fase da Libertadores. Só que ele carrega as práticas dos outros clubes, e aí se inclui a troca constante de treinadores, da forma como conhecemos.

A troca de técnico não só foi precipitada como criou outro problema: o clube foi ao mercado, tentou um técnico (bem) empregado no América-MG e que lá está em situação cômoda, com boa campanha. Por mais que Rui Costa tenha enxergado em Enderson Moreira o nome para tocar o clube por causa da forma com que lida com atletas da base, o "toco" tomado nessa tarde só aumenta o vexame. O escolhido, que vai pousar no aeroporto Serafim Bertaso sabendo que era plano B, conhece o antigo clube, mas não sabe como é o novo. Se for confirmado, Vinicius Eutrópio, que treinou o time por nove meses em 2015 com um aproveitamento quase igual ao de Mancini (algo em torno de 51%), terá que vencer a desconfiança do torcedor e de todos que concordam que a troca de técnico não era a melhor.

No fim, a tacada deu errado. Agora, é botar o pé no chão e tentar remendar do jeito que dá, com uma segunda opção. Ainda que nada esteja perdido, é hora do clube sentar e ver o que está acontecendo. Muitos elogiavam as práticas gerenciais da Chape no futebol. Agora se abriu uma porta perigosa. Que isso não prejudique o time em sua caminhada.

O clube não vai acabar se cair. Só vai forçar uma mudança grande de planejamento na próxima temporada onde, e é bom mencionar, só três jogadores tem vínculo assinado. Será um novo trabalho para reerguer. Melhor evitar isso.



terça-feira, 4 de julho de 2017

Conheça a segundona: Fluminense de Joinville



FLUMINENSE FUTEBOL CLUBE
Fundação: 24 de outubro de 1948
Cores: Grená, Verde e Branco
Estádio: Arena Joinville (Municipal) - 20.000 lugares
Presidente: Anelísio Machado
Técnico: Valmir Israel 
Ranking "BdR" 2016: 17o. lugar
Catarinense 2016: Vice-campeão da Série C


O Fluminense de Joinville, que é conhecido na Manchester Catarinense como "Fluminense do Itaum" é um clube da zona sul da cidade, fundado na década de 40 e que sempre disputou competições amadoras da região. Possui um estádio, o "Caldeirão do Itaum", que inclusive recebeu alguns jogos durante a Série C do Estadual, onde o time terminou na segunda colocação, derrotado pelo Atlético Itajaí, que desistiu da vaga na segundona. Como a vaga teria que ser necessariamente preenchida por um time do acesso, o Flu foi convidado. O clube se profissionalizou em 2014 e tenta ser uma segunda opção na maior cidade do Estado. Nada que se compare ao Caxias, que teve uma participação expressiva conquistando o vice-campeonato estadual em 2003. A proposta é bem, mas bem mais modesta. Agora, na segundona, a brincadeira ficou mais séria.

Se o Flu hoje está no futebol profissional, é responsabilidade de Anelísio Machado, o presidente do clube. Ele é um cara multimídia. Dono da faculdade Assessoritec, ele também dá seus pitacos como comentarista esportivo em uma emissora de TV da cidade, apresenta outro programa na Record News, é garoto propaganda e ainda detém o recorde de atleta mais velho registrado no BID da CBF. Ele joga, tanto que fez gol (de pênalti) na terceirona do ano passado. Ele é relacionado e, como tal, pode ficar no banco de reservas, dando uma pressão no treinador. De certa forma, ele ajuda, com sua exposição, a fazer um barulho em cima do nome do Fluminense, que mandará seus jogos nesta temporada na Arena Joinville, compartilhando-a com o JEC na Série C.

O time do Flu, treinado por Valmir Israel, técnico também das divisões de base, é modesto. A grande maioria é de jogadores muito jovens, egressos das divisões de base do clube. Os destaques são o goleiro Foquinha, revelado nas divisões de base do Joinville e que tem passagem até pelo time de beach soccer do Avaí, e o zagueiro Pedro Paulo, também conhecido de outras temporadas no JEC.

A missão do Fluminense, com um time de investimento modesto, é se manter na Série B e mostrar um pouco de serviço para a comunidade joinvilense, que pode ter no time uma oportunidade de entretenimento, uma vez que ninguém tira do JEC o carinho da cidade, mesmo em momentos complicados. Quem sabe no futuro, quando o apoio chegar, o Flu consiga aparecer na primeira divisão para que a cidade tenha um "clássico" com o JEC (que nunca aconteceu oficialmente entre os dois, ainda). Enquanto isso, é um clube querendo mostrar serviço, impulsionado pelo poder de marketing do seu presidente artilheiro.

A controversa demissão de Mancini

A Chapecoense estava próxima de uma grande vitória contra o Fluminense, que colocaria o time na primeira parte da tabela, bem próxima dos quatro melhores. Mas o gol sofrido nos acréscimos acabou em um empate fora de casa, que não pode ser tão lamentado assim. Ainda mais por causa dos últimos resultados.

Quando ninguém espera a demissão de um técnico, ela fica controversa. Discuto muito a decisão da diretoria da Chape em trocar o comando agora. Até agora, os objetivos foram conquistados, com o título estadual, a classificação no campo para a segunda fase da Libertadores (aliás, quem errou na situação do jogador irregular foi demitido?) e, no Brasileiro, está fora da zona de rebaixamento, com um time montado do zero e que passou por uma turbulência.

Será que o problema era mesmo ele? A maratona de partidas com um elenco enxuto não pode ser um motivo a considerar? Ou só foi olhado o fato do time estar próximo do Z4 quando, não faz muito tempo, estava lá em cima?

Mas é a cultura do futebol e, as vezes, uma meia dúzia de cornetas faz um dirigente trocar o técnico. Espero muito que isso não venha a estragar o ambiente e prejudicar o desempenho de um time que definitivamente precisa ser reforçado.