terça-feira, 1 de agosto de 2017

01/08 - Razão e emoção

Em 2004, um desconhecido português (pelo menos se dizia ser) chamado Carlos Andrade chegou a Brusque com uma megaproposta para o Carlos Renaux, que não disputava futebol profissional e foi procurado para uma espécie de terceirização. Prometeu dinheiro, acesso e glórias. Sobraram dívidas e problemas judiciais. O maior problema: ninguém o conhecia suficientemente bem para saber se era uma boa fechar esse contrato, que não muito tempo depois, se descobriu ser uma furada.

O Figueirense é um clube muito maior e a notícia de uma terceirização veio com tudo depois da derrota para o Vila Nova. Na reunião do conselho nesta noite de segunda-feira, fez-se pressão aos conselheiros para aprovar o acordo de sopetão, depois de uma dezena de slides, promessas de títulos nacionais e idas para a Libertadores. Calma, não é assim. Quem define tem o direito de saber tudo, desde os nomes de todos que estão do outro lado da assinatura do papel até os planos e a capacidade de aportar dinheiro. A decisão do Conselho foi acertada. Foi dado um prazo pra que todos possam digerir o que foi dito e buscar informações. Assim é melhor.

Bom mesmo seria se o clube soubesse caminhar bem sem qualquer tipo de interferência externa ou terceirização. A Chapecoense está aí para provar, como um case de sucesso, e isso bem antes do acidente, antes que alguém tente usar essa desculpa. Ocupa lugar de destaque em organização e tem time com folha de mais de R$ 2 milhões. Se a diretoria alvinegra tivesse sido competente na temporada, que teve um quase-rebaixamento no Estadual, uma eliminação na Copa do Brasil para o Rio Branco do Acre e uma atual zona de rebaixamento na Série B, nada disso seria necessário.

Agora há tempo pra investigar tudo. Se realmente for algo vantajoso, que se assine.

SEM CARA DE ACESSO

O Joinville foi cheio de vontade para Minas Gerais mas acabou perdendo para o Tupi em cima de erros infantis de marcação. Quando Pingo tentou arrumar o time no intervalo, o time da casa fez o terceiro logo no início do segundo tempo e a vaca foi para o brejo. A verdade é que o JEC não tem um time confiável na reta final da primeira fase. O time tem dois jogos seguidos em casa com a obrigação de vencer. Que o treinador ache a combinação mágica e perfeita nesta semana.

NA SEGUNDONA

O Hercílio Luz sapecou 7 no Jaraguá e manteve a liderança do turno da Série B do Catarinense, onde os campeões de cada turno se classificam, mais dois por índice técnico. Ainda por cima, o time de Agnaldo Liz fez um saldo que lhe dá a liderança sobre o Marcílio Dias. Eles se enfrentarão na última rodada, em Tubarão. Aconteça o que acontecer, os dois estarão no quadrangular, pelo futebol que mostram. Dali pra baixo, há uma irregularidade. Até o Concórdia, que se reforçou, começa a reagir dando a impressão de que vai subir na classificação.

JASC

Com pompa, uma festa comemorou os 100 dias para a abertura dos Jogos Abertos de SC, que acontecerão em Lages. O governo do Estado mandou mais de R$ 2 milhões para a cidade-sede se preparar, quantia bem maior que outros municípios receberam em temporadas interiores. Até acho que a edição desse ano será interessante: já que várias prefeituras (se não todas) estão apertando o cinto nos gastos, não vai ter aquele caminhão de atletas importados chegando para disputar e ir embora no dia seguinte. Pelo menos assim espero.

domingo, 30 de julho de 2017

31/07 - Para evitar a tragédia completa

TARDE DE CAOS

Tente imaginar como os jogadores do Figueirense se sentiram no jogo contra o Vila Nova. Sentiram a revolta da torcida, já estavam recebendo pressão de tudo que é lado durante os últimos dias e, de quebra, enfrentaram um bom time. A derrota era esperada pelo que o Vila de Hemerson Maria mostra e pelo que o Figueirense não consegue mostrar. Marcelo Cabo não deu jeito e leva com ele Carlito Arini, responsável pela "reformulação" do elenco após o fiasco do Estadual. Não deu nada certo, e agora o Figueira parte para a parte mais delicada: ir atrás de um milagreiro que consiga espremer o máximo do elenco para evitar o rebaixamento.

A PARCERIA

Tenho pé atrás com parcerias, e acho que elas precisam ser bem avaliadas. Após a derrota para o Vila Nova, apareceu a notícia de que um grupo de investidores quer entrar no Figueirense a toque de caixa para colocar dinheiro no clube e salvar o time do buraco. Isso não é uma coisa simples e, pelo que estou vendo no noticiário, é tratado com uma rapidez que me preocupa. Que os itens desse contrato sejam analisados de forma bastante ampla e transparente pelos conselheiros, de forma que não haja arrependimento depois.

AÍ NÃO DÁ

Não há como justificar a derrota de virada da Chapecoense para o fraco time do Atlético de Goiás. Ainda mais com o time mostrando uma reação e com a possibilidade de ficar na primeira página da tabela. De quebra, a Chape perde a oportunidade de fazer a melhor campanha de primeiro turno na sua história na Série A. Teria sido o excesso de confiança?

SEM REAÇÃO

O Avaí foi a São Paulo para se defender e viu seu planejamento ir para o vinagre logo no início da partida. A expulsão de Juan, por reclamação, mostra a grande dúvida sobre o real envolvimento e comprometimento do atleta com o projeto do time. Ainda que bons resultados tenham vindo nas últimas rodadas, o que aconteceu no Allianz Parque chama a atenção para o que não deve ser feito

APÁTICO

Estive em Juiz de Fora (MG) e vi uma atuação patética do Joinville contra o Tupi, time que tem um projeto bem simples e está muito bem na tabela da Série C. Os três gols do time da casa foram de falhas graves: no primeiro, um cruzamento que entrou sem que nenhum cristão afastasse. No segundo, uma falha individual. E logo no início do segundo tempo veio o golpe final em uma jogada simples pela esquerda diante de uma marcação bagunçada. O JEC tem pela frente dois jogos em casa com a obrigação de vencer. Mas sem encontrar bom futebol, e depois de uma taquarada dessa, fica complicado acreditar em acesso. Pingo ainda não encontrou o time ideal, que renda satisfatoriamente. E o tempo está passando.