sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Quem é quem nas semifinais da segundona

A primeira fase passou, e agora serão quatro decisões. Nas duas próximas semanas, serão definidos os dois times que subirão para a Série A do catarinense em 2018. Os confrontos são muito equilibrados por um simples motivo: por causa do regulamento, os atuais melhores times do campeonato vão se enfrentar, enquanto que os mais frágeis estão no outro confronto. Se houvesse outra disposição, o Concórdia e o Marcílio Dias seriam favoritos bem consideráveis. Mas eles vão se matar por uma vaga.

Começando pelo confronto mais forte. Concórdia e Marcílio se enfrentarão depois de um ótimo returno dos dois times (ambos terminaram invictos, com o Marinheiro empatando mais). Ambos tiveram trocas de treinador que mudaram o desempenho da água para o vinho. O Galo do Oeste, que teve um início fraquíssimo, resolveu dar uma tacada alta: de uma vez só, contratou o experientíssimo técnico Mauro Ovelha e jogadores-chave que fazem a diferença, como o goleiro Zé Carlos e o atacante Wilson Junior. O time arrancou, engatou sete vitórias seguidas e conquistou o returno com uma rodada de antecedência, consolidando a boa fase do novo CAC.

Do outro lado, um Marcílio que também patinou no início, e está no seu terceiro treinador no campeonato. Renê Marques chegou bem recomendado pela campanha com o limitado Almirante Barroso na Série A deste ano (onde poderia não ter sido rebaixado por causa de um certo erro de arbitragem em Florianópolis....) e mostrou seu bom trabalho no Marcílio que, ao contrário do seu rival, tinha um investimento bem menor para reforços. Com o que tem nas mãos, ele conseguiu a classificação com tranquilidade. Agora vem um confronto bem complicado. Ambos os times estão bem acertados, e o Marcílio terá a obrigação de tomar a iniciativa para reverter a vantagem de dois resultados iguais do CAC. Teremos um confronto de irmãos zagueiros: Rogélio, do Marcílio, enfrentará Neguete, do Concórdia.

No outro confronto que vale acesso, dois times que escorregaram no segundo turno sem mostrar grande futebol. O Hercílio Luz, campeão do primeiro turno, não conseguiu repetir o bom desempenho. Dentro de um planejamento, fez tudo errado: trocou de técnico, demitindo Agnaldo Liz para trazer Paulo Sales, nome sem experiência no Sul, e na hora de retomar o foco para a reta final, resolveu poupar titulares (tomou 4 do Marcílio Dias). Por sorte da tabela, o seu confronto será contra outro time que teve problemas, classificando-se na última rodada graças ao tropeço do Guarani, time que vinha mostrando ser bem mais perigoso.

Muitos davam o Camboriú eliminado (eu estou na lista) quando o time perdeu para o Barra e empatou em casa com o Fluminense do Itaum na penúltima rodada. Por sorte, o Guarani não conseguiu vencer o Marcílio Dias em casa e deixou a disputa pela última vaga para a rodada final. O Cambura fez sua tarefa batendo o morto Jaraguá e dependeu da vitória do Barra sobre o time de Palhoça para classificar. Deu certo. Para o time verde e laranja, o confronto lhe caiu bem, já que ambos os times não vão bem nessa reta final de campeonato e o retrospecto lhe é favorável (foram duas vitórias camboriuenses na fase de classificação). Isso é suficiente para que o confronto seja absolutamente imprevisível.

Montada comissão para negociar a TV no Estadual



Os dirigentes de oito dos dez clubes do Estadual 2018 (faltam os dois acessos, ainda a serem definidos) estiveram reunidos ontem em Florianópolis para definir uma estratégia visando a negociação dos contratos de televisionamento.

Tem algumas mudanças, com seus prós e contras: as conversas serão no Rio de Janeiro diretamente com a Rede Globo, o que é um bom sinal, já que eu vejo dificuldades grandes se o dinheiro tivesse que sair da NSC, que está em processo de contenção de gastos, fechando vagas, limitando cada vez mais a cobertura esportiva e não dando a impressão de interesse em descarregar alguns milhões na compra do produto. Vindo da cabeça de rede, que comercializa o produto (se você notar, os patrocinadores locais não entram na transmissão, a RBS vendia cotas locais que só entravam em break), é um indicativo de maior flexibilidade.

Baseado no que aconteceu no Paraná ano passado, quando Atlético e Coritiba não assinaram com a TV, deixando o estadual sem PPV e com a RPC sem passar a decisão, há uma tendência de negociação em pacote fechado junto com a Federação. Questiono um pouco esse tipo de abordagem, até porque os clubes são donos do espetáculo. Mas a reunião em Floripa selou um contato bom entre clubes e FCF, que irão juntos nessa negociação, diferentemente de outros tempos, quando o ex-presidente gostava de tomar conta do campinho e fazer as coisas do seu jeito (tomando um processo enorme em 2009 que deu problema aos clubes, cometendo o absurdo de assinar um contrato de TV tendo um outro vigente, com o apoio do então presidente da SC Clubes que hoje tem cargo na Federação).

Nisso aí, houve avanço. O próximo passo é ver o valor. Os clubes, veladamente, tem em mente o número de R$ 15 milhões. Tirando a comissão de 10% da FCF (prevista em regulamento) e impostos, daria algo em torno de R$ 1 milhão para cada um. Não é o melhor dos valores, já que um time pequeno do Gauchão ganha isso, mas é uma evolução.

Só tem que ficar de olho no tempo de contrato, já que a SC Clubes fechou o anterior por cinco anos, liberando a transmissão para a praça e dando prejuízo pra eles mesmos.

E ainda tem o caso Esporte Interativo. É importante que não se bata o martelo com a Globo sem antes ouvir a emissora da Turner, que tem interesse na transmissão em canal fechado.

Vamos acompanhar o andamento. E tem mais coisa pra discutir, como por exemplo o patrocínio master do campeonato que a Federação vendeu e não deu satisfação para os clubes. Hora de ver como Rubinho Angelotti tocará o processo.


segunda-feira, 18 de setembro de 2017

18/09 - Entrega e promessa

A Chapecoense venceu o Grêmio em Porto Alegre mostrando aquela que é a característica mais importante do time, que ficou largada em algum lugar lá atrás: a entrega. É inegável que a simples troca de técnico criou um fato novo dentro do clube e o fez retomar a atitude indispensável para que o time saia do buraco. O que aconteceu lá dentro não sabemos, mas cada vez fica mais claro que a diretoria demorou demais para tomar uma atitude para corrigir um erro chamado Vinicius Eutrópio.

Não estou seguro se Emerson Cris é o nome correto para comandar essa recuperação. A diretoria vai mantê-lo enquanto der certo. Me parece que o grupo resolveu chamar a bronca para si, a essa altura do campeonato. A boa notícia é que o time está fora da zona de rebaixamento (aliás, a primeira vez que os dois catarinenses estão nessa situação juntos no campeonato), o que dá tranquilidade pra tocar o trabalho.

PROMESSA E REALIDADE

Não dá pra negar que a campanha de motivação feita pela nova gestão do Figueirense é grande e ajudou a elevar a moral de muito torcedor chateado com a campanha do time na Série B. O CEO Alex Bourgeois prometeu atitudes urgentes, que até agora não vieram. O cenário é complicado, já que o mercado é muito limitado nessa época do ano.

O problema maior do time é que ele não evolui. Falhas acontecem repetidamente e voltaram a acontecer no Beira-Rio. Logo, esse discurso motivador pode tomar efeito contrário e se transformar em uma enganação, um profundo desapontamento. Não é necessário muito para evitar a queda. Um bom técnico que consiga dar um padrão mínimo é capaz de ficar a frente de quatro clubes e fugir da terrível Série C. Mas é necessário que essa evolução apareça de uma vez.

POR POUCO, MAS...

O Avaí deixou escapar a vitória sobre o Atlético-MG, que lhe daria uma tranquilidade ainda maior na classificação da Série A, consolidando a excelente fase que o clube passa. Claudinei Oliveira cometeu um erro que pode ter sido decisivo no jogo: a substituição de Judson, que acabou por tabela modificando o sistema defensivo. De toda forma, o empate veio contra um time qualificado, forte no contra-ataque. Com o time bem acertado, os pontos virão. Numa conta rápida, seriam necessárias cinco vitórias para concluir a missão.

NINGUÉM ENTENDEU

O Criciúma demitiu Luiz Carlos Winck agora pela manhã e ninguém entendeu o porquê. A campanha não é ruim, o time está a seis pontos do G4 da Série B e o aproveitamento nos últimos jogos é razoável, com 16 pontos conquistados nos últimos dez jogos. Há quem diga que existe um interesse da Chapecoense, mas a demissão ainda não foi esclarecida. Até o fim do dia, saberemos.