quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Catarinense sem Premiere. TV Aberta com dificuldades. Há vida, mas é necessário trabalho



O Blog volta a falar de televisionamento do Estadual, diante das novas informações.

O presidente da Chapecoense, Maninho de Nes, afirmou ao amigo Badá que não haverá transmissão do Pay-per-view do Campeonato Estadual. Pode parecer grave num primeiro instante, mas vamos dissecar a informação. Os clubes recebiam muito pouco para ceder o "sinal para a praça" e ter impacto direto em suas bilheterias. Não chega a 100 mil reais por clube. Faça a conta de quantos assinantes existem em cidades como Joinville ou Florianópolis. Os números falam por si. Produto era vendido a um preço de banana. Sem contar o fato de jogar a partida para as 19h de uma quarta-feira ou, quando muita gente está voltando do trabalho e não consegue chegar no estádio, ou até as 10h da manhã de um domingo de praia, ou quem sabe sábado a noite.

E tem outra coisa: com a liberação da venda de cerveja cada vez mais próxima, só o que será arrecadado com os bares superará o que é pago pela TV por Assinatura.

Há também o fator internet. Um dos grandes clubes de SC já saiu na frente, com seu departamento de marketing já trabalhando firme na questão da transmissão das suas partidas. Apurei que um modelo já está sendo estudado para que a transmissão por Facebook ou Youtube aconteça.

Agora, o assunto é a TV Aberta. Aqui, houve um problema seríssimo em todo o processo de negociação. Primeiro, que os clubes delegaram à FCF a negociação com a Globo, já que a rede iria comandar o processo e a NSC, em processo de desmonte de sua estrutura (inclusive esportiva, limitando o trabalho dos seus jornais, tirando profissionais da área e jogando dois blocos do Globo Esporte carioca no lugar do antigo 100% estadual), dificilmente teria condição de pagar a conta.

O problema é que o presidente da FCF, Rubens Angelotti, recém-chegado ao meio e que mostra ainda sinais de que precisa de mais atenção, deu entrevista à Rádio Eldorado dizendo que a negociação com o Esporte Interativo e as outras redes catarinenses não prosperaram e que a única opção seria a Globo, sem plano B. Perdeu toda e qualquer alternativa de negociação. Resultado: a Globo jogou uma proposta para pagar por partida transmitida, em uma base financeira que os clubes não aceitaram. Criou-se o impasse.

Essa negociação nunca deveria sair dos clubes. Aliás, o campeonato precisa ser gerido comercialmente pelos clubes na totalidade, coisa que não acontece (o regulamento do Estadual 2018, assim como em outros anos, dá à Federação as placas centrais de todos os estádios. Na prática, isso permite a venda de naming rights sem satisfação aos clubes). Agora, criou-se um problema, que não é insolucionável.

A Globo quer comprar um jogo por rodada? OK, sigamos o modelo americano, com as outras partidas sendo disponibilizadas via redes, com potencial faturamento através da venda de pacotes comerciais, por cada clube ou pela Associação.

Sou crítico do modo como a Associação de Clubes históricamente foi tocada e não conseguirei mudar de ideia até um sinal contrário. Mas é hora de se mexer, que o produto é bom e é muito mal aproveitado.

domingo, 19 de novembro de 2017

Vamos falar (de novo) de arbitragem em Santa Catarina



Na tarde deste sábado, o questionado Héber Roberto Lopes cometeu um erro crasso, sem explicação, e que causou um pedido de desculpa. Só ele viu irregularidade no gol do Goiás sobre o Inter, que abriria o placar no Serra Dourada. Ele anulou. Logo depois o Inter faria 1 a 0. Não havia desculpa.

Nem o assistente assinalou nada. Responsabilidade dele. Árbitro da Federação Catarinense. Importado do Paraná pelo ex-presidente, que se vangloriava de ter "arbitragem internacional". Enquanto isso, nomes promissores do Estado desistiram de seguir em frente na carreira de árbitro, por causa das poucas chances. Um deles teve que ir pra Tocantins e está apitando jogos do Brasileirão.

Fiquei estarrecido ao ler uma entrevista do atual presidente da FCF, Rubens Angelotti, ao amigo Polidoro Junior. Sandro Meira Ricci, que é árbitro de Copa mas teve erros nos últimos tempos, ganhou neste ano a bagatela de 150 mil reais para um mínimo de 10 jogos no campeonato Estadual. Você não leu errado: são 15 mil reais por jogo. Grana que daria pra fazer um senhor processo de captação e capacitação de árbitros dentro de Santa Catarina. Enquanto isso, o pessoal daqui ganhava menos de 10% disso por partida.

Até onde esse processo de importação é válido? Rubinho deu a entender que não renovará esse vínculo, não nessas bases. E espero que ele mantenha a posição. O Campeonato Estadual é a oportunidade de fazer valer o que é nosso, valorizando os nomes do Estado, que ficam desmotivados ao saber que, nos jogos mais importantes, a turma de fora vai cair no sorteio. Bráulio Machado, nome criado aqui, é um dos bons nomes da arbitragem nacional. Será Fifa em breve e está presente em jogos importantes, como no último Corinthians x Fluminense que garantiu o título nacional ao Timão.

Quero ver o Bráulio Machado em ação no Estadual. Assim como Ramon Abatti Abel, William Steffen e outros nomes da arbitragem catarinense que ralam um monte para buscar um lugar ao sol.

Presidente, tem aplicação bem melhor para os 150 mil usados para contratar um árbitro. Faça esse favor para tanta gente aqui de Santa Catarina que tem vontade de exercer uma profissão tão complicada como a de apitar jogos de futebol.

Insistir em medalhões de fora é uma cortina de fumaça que nem sempre dá certo.