domingo, 1 de abril de 2018

Não é só a Fórmula: o Campeonato Catarinense precisa de muito mais

Neste sábado, na abertura da última rodada do campeonato catarinense, oitenta e poucas testemunhas estiveram no Estádio Municipal de Concórdia para assistir o time da casa contra o Figueirense, jogo que não valia absolutamente nada. Recorde negativo e histórico da primeira divisão.

Não dá pra colocar só a culpa na fórmula, apesar dela ser um fator importantíssimo, sendo aprovada pelos clubes com o aviso de muitos que iria dar problemas com interesse nas últimas rodadas. A média vai despencando, e vai dar uma segurada com os 20 mil previstos para o jogo único da decisão. É até engraçado: ninguém quer ser o pai da criança de uma fórmula mal feita e o diretor jurídico da FCF, que é remanescente da antiga gestão, já busca um jeito de agir, dentro da lei, para mudar o regulamento do ano que vem.

O caso de Concórdia meio se explica por outros fatores: a cidade historicamente prefere futsal a futebol (em algumas cidades do Oeste isso é muito forte. Joaçaba, por exemplo, que é um pólo regional, resolveu até demolir o estádio), e isso reflete na própria sustentabilidade do negócio futebol. O time já estava mal, caiu, tempo ruim, transmissão ao vivo na internet, pessoal não vai mesmo.

O Campeonato Estadual em si foi um fracasso de divulgação, mesmo com a SC Clubes enchendo o peito por causa do FC Play, que pagou o preço dos problemas técnicos (particularmente tive dois, com um Hercílio x Brusque que perdi o segundo tempo e uma quarta-feira que o suporte me deu a senha aos 40 minutos do segundo tempo de JEC x Figueirense) e uma rentabilidade bastante questionável. Que divulgação usaram pra divulgar o serviço? Apenas as redes sociais dos clubes. Nem uma placa, nem o espaço publicitário que eles tem direito por contrato na detentora dos direitos.

Duvido que serão divulgados os números reais das vendas dos pacotes. Fonte do Blog informa que os números foram bem preocupantes. Um dirigente de clube ouvido por mim disse ter medo de ter que "pagar a conta" das vendas que acabaram não se concretizando. Uma transmissão só não é barata. Imagine então três, quatro, por rodada. A ideia é excelente, eu usaria outro formato para capitalizar mais. Mas faltou divulgação melhor do FCPlay.

A detentora dos direitos, que conseguiu comprar o campeonato pela pechincha de 40% de desconto em relação ao ano passado, pouco fez para divulgar seu produto. Apenas um VTzinho de "vá ao estádio" veiculado em alguns breaks nas afiliadas regionais. Apenas como comparação, a RBS, que pagou muito mais pelos direitos do Gauchão, fez cobertura bem mais ampla. Não havia repercussão: muitos jogos no interior não tinham sequer repórter para "fechar um VT" sobre a partida. O programa diário não trazia matérias aprofundadas. As transmissões, um capítulo a parte, foram fracas, com narrador e comentarista presos no ar condicionado do estúdio mesmo em jogos na Capital, em uma transmissão fria, com qualidade técnica abaixo das transmissões da Globo em SP e RJ, que não convidava o torcedor a permanecer vendo o jogo. Cleiton César que o diga, ficando sem muito o que falar na confusão em Figueirense x Avaí, já que seu ângulo de visão estava limitado às 40 polegadas do monitor que estava a sua frente. Se estivesse na cabine, com certeza conseguiria trazer muito mais detalhes do que estava acontecendo. Mora em Chapecó e pegava um avião pra ir a Florianópolis transmitir um jogo que acontecia perto da sua casa.

Tem também o troféu, uma peça publicitária sem graça que faz nosso catarinense passar vergonha diante do que será dado ao campeão em outros Estados. Aqui, o erro é da Federação, que deixa o patrocinador fazer o troféu e tem que aceitar estátuas, tampas de pepino e, agora, uma estrela de plástico. Não sei por que é tão complicado fazer um troféu bonito, que tenha destaque em uma sala de troféus. O nome do patrocinador pode ser colocado em um selo na base.

O Campeonato Catarinense 2018, como produto, foi isso: começou com pompa e um discurso revolucionário. Terminou com fracasso de público, todo mundo criticando a fórmula e louco pra que acabe logo.


* Observação: Fonte do Blog diz que o argumento oficial da coordenação de esportes da NSCTV para os offtubes no Estadual é a segurança técnica para evitar algum problema, o que é uma tese que não se sustenta, pelo fato do narrador poder ser traído por um erro do Diretor de TV, coisa que aconteceu recentemente em um jogo do Vasco pela Libertadores, onde o corte saiu errado e o narrador ficou em fria. A verdade é que se faz uma economia burra, que prejudica o próprio produto, dando resultados negativos no Ibope. 

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