domingo, 22 de julho de 2018

O rebaixamento do Joinville - Parte 1

A derrota para o Botafogo de Ribeirão Preto em casa transformou o estado grave do JEC em um coma irreversível. O time será rebaixado, ainda que um monte de rasuras em papel possa dizer o contrário. Vamos combinar: faltam três jogos, dois fora de casa. Como visitante, o time só perde e não fez nenhum gol. O time não se acerta e perde jogador toda semana. Vai se recuperar? Só quando o sargento Garcia prender o Zorro.

Parte da atual diretoria do JEC, presidida por Vilfrid Schapitz (quarto, da esquerda para a direita)


Dá pra escrever um livro sobre acontecimentos e erros dos últimos meses que culminaram com o humilhante rebaixamento para a Série D, menos de 4 anos depois do título nacional da Série B que levou o JEC à elite. Por isso, o Blog vai fragmentar esse "dossiê" em partes. Há muita coisa a ser dita, mas com uma conclusão: o rebaixamento foi absolutamente justo. Agora, o clube terá que passar pelo inferno da quarta divisão, em um campeonato curto com vários mata-matas para se conseguir o acesso. Não é fácil.

Hoje vou falar sobre a diretoria, alvo de tantas críticas. Primeiro, é necessário dizer que nem na gestão de Nereu Martinelli (que levou o time à Série A), o clube teve equilíbrio financeiro. Tanto é que o próprio Nereu aparece como credor de um empréstimo contraído para pagar contas do clube. Uma hora a sua saída do clube iria acontecer, e Jony Stassun surgiu como o nome para recolocar o JEC na elite. Todos sabemos o que aconteceu.

Nereu conhecia de futebol, tinha caminhos, tinha contatos. Até acho que a melhor fase dele era na direção de futebol, na gestão de Márcio Vogelsanger, que deu o título da Série C em 2011. As novas gestões tinham ideias, visões até legais de negócio, mas faltou uma coisa primordial: conhecimento de futebol. A queda para a terceira divisão, em 2016, provocou uma queda brusca de arrecadação. O número de sócios diminuiu, empréstimos tiveram que ser feitos de novo (Stassun cobra da atual diretoria um deles, bem grande) e faltou qualidade nas contratações. Só atacantes, foram 12 ou 13. Folha inchada, futebol não funcionou. Mais um ano na Série C.

Bom ressaltar que o Joinville iniciou sua pré-temporada para 2018 bem antes dos outros. Deu férias para os jogadores com a Copa SC em andamento e, em dezembro, já trabalhava sob o comando de Rogério Zimmermann que, com um elenco liimtado, fez um estadual honesto. Na Copa do Brasil, acabou caindo na segunda fase para o Vila Nova, em jogo único fora de casa. Nesse meio-tempo, um novo grupo, comandado por Schapitz (ex-vice de Nereu) e Alexandre Poleza, se candidatou ao processo sucessório e exigiu de Stassun a participação em uma espécie de comitê de transição.

A nova diretoria só deu tiro no pé. Os associados que queriam pagar suas mensalidades não conseguiam deixar em dia por que o sistema dos boletos ficou fora do ar por falta de pagamento. O novo grupo assumiu o clube achando que poderia torná-lo sustentável na Série C a ponto de não ser necessário "tirar do bolso" para fechar as contas. Precisou, e inclusive um deles colocou a casa como garantia de empréstimo. Rogério Zimmermann e o gerente Carlos Kila foram demitidos, e a reposição foi desastrosa. Adilson Fernandes, que não veio para o cargo de gerente de futebol, acabou se tornando um "interino-permanente", sem experiência alguma no mercado. Jogadores como Elias, Murilo Rangel e Evaldo foram embora. Gelson, volante destaque do Estadual no Concórdia, foi anunciado como reforço e não ficou sob a alegação de reprovação nos testes físicos. Uma semana depois ele foi para o Tubarão, onde arrebentou, não se lesionou e fez torcedores de lá perguntarem para mim "que merda o JEC fez pra não ficar com ele".

Ato seguinte, veio a parceria com a LA Sports, que acabou na vinda de Mateus Costa, um cara sem experiência que carregava consigo o acesso do Paraná para a Série A nas rodadas finais, após a conturbada demissão de Lisca. O "almofadinha", como era chamado nos bastidores, mostrou que a escolha tomada foi errada. Já os atletas da LA vieram, nada fizeram, e desembarcaram.

No próximo post: Como os atletas da LA ajudaram a afundar ainda mais o time e as escolhas mal feitas culminaram com o rebaixamento.

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