segunda-feira, 23 de julho de 2018

O rebaixamento do Joinville - Parte 2



Seguimos falando da grande sequência de erros que acabaram levando o Joinville para a Série D do Brasileirão. Nos últimos dias, muita gente (e eu me incluo nisso) passou a olhar para a tabela e fazer contas. Até era possível escapar, bastava "apenas"ganhar as quatro partidas que restavam, em um cenário altamente desfavorável. Afinal, o "catadão" montado em etapas pela diretoria, que ia se dissolvendo com o passar das rodadas, não respondia em campo. A derrota para o Botafogo melou tudo e decretou a degola.

Guarde esse número: 35. Na Série C, ninguém pode sair contratando aos montes, nem mudando todo o elenco no final do primeiro turno. Há limite de inscrições, o que faz com que os clubes façam bem as contas. Se um deles for embora, não tem substituição. No JEC, com os resultados não aparecendo, o elenco foi diluindo, em um processo desencadeado pela parceria com a LA Sports, onde o presidente Vilfred Schapitz já demonstrou arrependimento.

Antes do início da Série C, a nova diretoria do JEC viu na parceria com a empresa a possibilidade de montar um time melhor com um custo mais baixo. A proposta era simples: jogadores viriam com um salário menor, mas com um bônus ao fim do campeonato em caso de acesso. Como os resultados não vieram, eles foram deixando o clube, um a um. Emerson, Pierre, Misael, Davi....
a cada semana eram anunciadas as suas saídas no site do clube, sob o argumento de "insatisfação com o rendimento pessoal". Balela, era o bônus que não iria vir. Como não haveria nenhum tipo de multa, o clube, na pindaíba que vive, acabou liberando. O último foi o questionado lateral Jonas, outro que veio com muita expectativa. Nesse momento eles preferem abandonar. Mas a história não esquecerá deles.

Faltando algumas "vagas" no elenco, veio a demissão de Matheus Costa, aquele que foi, ao meu ver, uma das maiores bolas foras já dadas na história do tricolor. Trazer um cara desconhecido, que só tem passagem como interino do Paraná e sequer ficou para a temporada seguinte? Pois é. Nas coletivas, adorava pedir paciência. Enquanto isso, as rodadas passavam e os resultados não vinham. Caiu após a quarta derrota seguida, em casa, para o Cuiabá.

Após a demissão, começou a corrida pela substituição. Hélio dos Anjos foi contatado, mas sua pedida salarial ultrapassa e muito o que o clube pode pagar. Pintado foi sondado. Na quarta ou quinta opção estava Márcio Fernandes, ex-Santos e com algumas passagens sem muito brilho por aí. Ligaram para ele, disseram qual o teto salarial e ele topou. Essa quarta ou quinta opção chegou ao vestiário, com os jogadores sabendo que ele tinha sido o primeiro a dizer "sim" depois de muitos "nãos". O resultado foi desastroso. Além de piorar, o time ficou medroso. No jogo contra o Ypiranga, o JEC entrou em campo para não perder, quando precisava ganhar. No desespero, começou a colocar jogadores da base pra ver se algo novo aparecia. Chegou a falar, após a humilhante goleada para o Cuiabá, que não sabia o que acontecia, já que falava as coisas para o time, e ele não reagia. Era a deixa que tinha perdido o comando, que tenho lá minhas dúvidas se um dia teve. Acabou demitido.

Ato seguinte, a diretoria novata surpreendeu mais uma vez: disse que não contrataria um novo técnico até a chegada de um novo executivo de futebol. Quatro ou cinco foram "entrevistados", segundo o presidente (um deles foi Abel Ribeiro), e ainda não houve definição, e isso com o time ainda tendo alguma chance de escapar. Coube a Pedrinho Maradona, técnico do sub-20 que, diga-se de passagem, faz péssima campanha no Estadual, a oportunidade de fazer algo novo. Pediu pra ser chamado de Pedro Medeiros, mas nada que mudasse o panorama. Mais uma derrota.

No próximo post, vamos falar sobre o futuro do JEC. Tem gente que acha "uma boa" a queda para a D. Também tem o projeto do JEC SA, uma ideia legal, mas muito difícil de vingar na quarta divisão nacional. Não perca.

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