sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Sem Premiere, clubes demoraram muito em oferecer uma solução para recolocar Estadual na vitrine

Com muita pompa, no início da semana, o presidente da SC Clubes usou o microfone na sede da OAB, em Florianópolis, no lançamento do campeonato estadual, para dizer que o torneio foi muito bem comercializado, fruto de um sistema comercial exitoso implantado pela associação.

É uma meia verdade dele. Realmente, o campeonato teve apenas uma vez (em 2000, quando a RBS comprou o campeonato, gestionou tudo e até vendia os ingressos) o sistema de placas de publicidade igual para todos os estádios. Não é muito, mas é um avanço. Os naming rights foram vendidos a um banco (esse dinheiro é 100% da FCF), o troféu para o Angeloni, e mais alguns apoiadores apareceram. Tem até site de aposta estabelecido no paraíso fiscal de Curaçao que, diga-se de passagem, está fora do ar.

Só que o presidente não mencionou que esses ganhos seriam realmente importantes se o contrato de televisionamento fosse vantajoso. Como não é, e os clubes e FCF aceitaram o absurdo de assinar um acordo com valor 40% menor, com a longuíssima duração de 4 anos (esqueça reajuste até 2023) e ainda permitindo transmissão para a praça, todo esse trabalho importante foi realizado para cobrir o buraco deixado pelo acordo de TV, feito pela Globo e repassado à NSC, que não estava a fim de gastar nada. Tanto que, das quatro primeiras transmissões do ano, três serão em Florianópolis e uma em Criciúma (190km da Capital). Nada de viagem pra Chapecó.

Chegamos ao assunto do Premiere. O que a FCF disse em nota no seu site é verdade. A Globosat não viu vantagem econômica em transmitir o Estadual. Vou tentar explicar a conta. No Rio Grande do Sul, o PFC transmite todos os jogos da dupla Gre-Nal e apenas alguns da dupla de Caxias. Aqui em SC o buraco era mais embaixo, já que todos os jogos dos cinco grandes tinham transmissão (custo de produção de cerca de 20 mil reais cada) e, na ponta do lápis, não arrecadava isso tudo com assinaturas (a proliferação dos chamados gatos também colaborou para isso). Se houvesse transmissão de apenas dois jogos por rodada era processo na certa. Se privilegiassem esse ou aquele, dava problema também. Fonte ouvida pelo Blog confirma que não houve nenhum tipo de pressão por valor maior. Passou longe disso. Mas os clubes sabiam já há algum tempo que a Globosat tinha dado sinal que não ficaria.

Aí entrou o assunto internet. Os Atletibas do ano passado foram sucesso de audiência no Youtube. Transmissão gratuita, com patrocínio master de empresa de Telecom, com cotas vendidas, exposição de placas, uniformes e tudo o que já vimos na TV. Aqui em Santa Catarina, os clubes buscam um modelo que tem tudo pra não dar certo. O presidente da SC Clubes disse, em entrevista ao amigo Polidoro Junior, que o plano era trazer uma empresa de São Paulo (e olha que aqui temos gente boa) para produzir um modelo de Pay per view pela internet, a um preço sugerido de 40 reais.

Vamos aos pontos: primeiro, que um sistema desse é facilmente pirateável, causando evasão de renda. Segundo, que se o modelo de transmissão não for feito com absoluta perfeição, uma falha pode dar problema. Sem contar que, fechando o sinal para poucos em um campeonato de ínfimo apelo pessoal, a exposição ficaria limitada a pouca gente e um custo de produção a pagar. A FCF, na gestão Delfim, realizou modelo igual há aproximadamente 10 anos e ficou com o mico na mão. O modelo ventilado é completamente errado. Seria muito mais útil a venda de publicidade como se fossem cotas da TV, com transmissão absolutamente liberada e gratuita para o mundo. Seria mais viável para cobrir o custo e com chance menor de dar errado.

Mas o pior de tudo é: mesmo sabendo de antemão que não haveria pay-per-view no Estadual, não foi tomada nenhuma atitude sobre isso na primeira rodada. Agora, em cima da hora, até pode aparecer um paliativo. Mas os clubes já perderam um monte. Afinal, o campeonato tá rolando e ninguém está vendo, a não ser nos 90 minutos da TV aberta.


terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Catarinense 2018: Atlético Tubarão




CLUBE ATLÉTICO TUBARÃO
Fundação: 14 de Abril de 2005 (como ACRE Cidade Azul)
Cores: Azul, Preto e Branco
Estádio: Domingos Silveira Gonzales (Municipal) - 3500 lugares 
Presidente: Gilmar Negro Machado
Técnico: Waguinho Dias
Ranking "BdR" 2017: 7º lugar
Catarinense 2017: 6o. Lugar


O Campeão da Copa Santa Catarina do ano passado conquistou um calendário interessante e terá boas oportunidades de crescer, ainda mais em um ambiente que terá disputa municipal com o Hercílio neste campeonato estadual. A nova administração do clube conseguiu o acesso, e na temporada passada garantiu vaga na Série D e, com o título da Copinha sobre o Brusque, vai jogar a Copa do Brasil em casa contra o América de Natal com chances muito boas de avançar de fase e ganhar mais que os R$ 500 mil oferecidos de saída pela CBF para os participantes. O clube tem um modelo de gestão diferenciado, que de certa forma independe das oscilações do mercado local para se manter. Isso dá mais tranquilidade para a gestão de Luiz Henrique Martins Ribeiro, comandante da SPE que terceiriza o clube.

No campo, o comandante da barca azul é Waguinho Dias, um treinador que se deu muito bem em Santa Catarina. Conhece do assunto. Já tinha feito um bom trabalho no Internacional de Lages em 2016. Daí o Tubarão o trouxe no ano passado, e o título da Copa SC confirma essa boa fase. Waguinho chegou até a ser sondado pelo Criciúma, sem sucesso. Adepto de um futebol de muita movimentação e extremamente disciplinado, ele é um dos bons técnicos que apareceram no Estado nos últimos anos. Terá agora a missão de tocar um time com estrutura mais ousada, com um Brasileirão pela frente e uma inédita ida à Copa do Brasil.



Por ser um clube com gestão diferenciada, a própria política de contratações do time também é diferente. Não há um medalhão como Rentería foi ano passado (e que teve sucesso, sendo artilheiro do campeonato estadual), mas um trabalho muito forte de divisões de base vai render bons frutos. Muita gente é remanescente do elenco do ano passado campeão da Copinha, como o bom zagueiro Lucas Costa e o volante Liel. Chegaram o atacante Batista, emprestado pelo Grêmio, Índio e Marlon, do Figueirense e o goleiro Junior, ex-ABC. Muita gente nova, que não passou pelo futebol do Estado e que busca "dar caldo" em Tubarão.

A meta do Peixe é audaciosa, buscando até acessos no Brasileirão. O time deste ano tem bons valores, um bom treinador e quer manter o bom rendimento conquistado na temporada passada. É uma equipe a ser olhada com muita atenção por dois aspectos: primeiro, pelo seu rendimento em si que poderá surpreender os grandes. E depois, pelos atletas que podem ser boas opções de mercado pra quem estiver precisando de jogador para o Campeonato Brasileiro.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Catarinense 2018: Criciúma

CRICIÚMA ESPORTE CLUBE
Fundação: 13 de maio de 1947 (como Comerciário. O nome mudou em 17 de março de 1978)
Cores: Amarelo, Branco e Preto
Estádio: Heriberto Hulse (particular) - 20.000 lugares
Presidente: Jaime Dal Farra
Técnico: Lisca
Ranking "BdR" 2017: 3o. Lugar
Catarinense 2017: 3o. Lugar


O Criciúma teve um ano mais atribulado nos bastidores do que propriamente dentro de campo. O início de temporada não foi tão ruim, terminando em um tranquilo terceiro lugar no Estadual. Chegou a Série B e o time não conseguiu se firmar. Quando tinha a chance de encostar de vez no G4, perdia e deixava escapar a oportunidade. A fraca campanha em casa acabou sendo determinante para o Tigre, que perdeu muito terreno e acabou, veja só, terminando o Brasileiro atrás do Figueirense, que passou quase o campeonato todo lutando pra não cair para a terceira divisão. A gestão do Tigre foi muito confusa, seguindo até uma história de outros anos: chegam muitos jogadores, muitas trocas de técnicos e a falta de continuidade de trabalho que fizesse com que o time tivesse uma base foram os grandes complicadores. Pressionado, o presidente Jaime Dal Farra tem mais uma oportunidade de dar boas notícias ao torcedor carvoeiro, que espera um título ou um acesso.

Além de contratar, mais uma vez, um executivo de fora para gerenciar o futebol, o Criciúma apostou em um nome bem polêmico para comandar o time, pelo menos nesse início de ano: Lisca, de 45 anos, que no ano passado fazia boa campanha no Paraná até ser demitido (por motivos que nunca ficaram bem claros) e fez o Guarani se salvar do rebaixamento para a Série C. Antes, comandou o Joinville, rebaixado para a terceira divisão. Quem é da bola diz que ele conhece de futebol, mas não tem o melhor dos relacionamentos. Um dirigente me afirmou que ele "é difícil de lidar" e "tem prazo de validade". De toda forma, ele ganha uma nova oportunidade para mostrar seu trabalho. Não sei se haverá paciência em caso de insucesso no Catarinense.

O time de 2018 tem novidades, mas com remanescentes de outras temporadas se mantendo como titulares, caso do goleiro Luiz, do bom volante Douglas Moreira e do meia Alex Maranhão, que permanece no clube após um suposto interesse da Chapecoense que nunca foi bem esclarecido. Chegam para reforçar o time o zagueiro Sandro, ex-Figueirense e JEC, o atacante Siloé, ex-Ceará, e o lateral Eltinho, ex-Avaí, além de Wallacer, ex-Juventude. Jogadores indicados pelo treinador que a diretoria resolveu pagar para ver.  É um elenco bem interessante, que poderá dar caldo caso o treinador consiga fazer esse grupo funcionar satisfatoriamente.

Por isso que o Criciúma é, talvez, a maior incógnita do Campeonato Catarinense. Gastou, trouxe reforços de preço bem razoável e carrega consigo a exigência de bons resultados. Tem um treinador que carrega no currículo sucessos e trabalhos ruins nos últimos anos. Será interessante acompanhar o desempenho do Tigre em 2018. Lá há a maior cobrança no Estado, seja de torcida ou imprensa. A se observar.