quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Argel é chamado pelo Criciúma pra fazer o que sabe

Esse namoro demorou pra virar casamento. Após anúncio, ruído de comunicação, desmentido, proposta de reconciliação e o anúncio oficial, foi um tempo. Enquanto isso, o Criciúma seguia com técnico interino em busca de dias melhores. Cada vez mais pressionada, a diretoria traz Argel Fucks com a missão de fazer o que o treinador sabe fazer bem (e odeia que falem sobre isso): apagar incêndio.

E além de agir como bombeiro, cria uma fina cortina de fumaça para dar um tempo de alívio ao presidente Jaime Dal Farra, que enfrenta ferozes discursos pedindo a sua saída. Para isso, gastou uma boa grana para trazer o técnico. Muitos torcedores queriam. Talvez, o método "Vamo lá, porra!" dele sirva para mexer um elenco que claramente tem carências. Mas talvez o chacoalhão sirva para, pelo menos, deixar o Tigre longe da zona de rebaixamento no Estadual. Sem chances de título estadual e humilhantemente eliminado em casa para o Cianorte na Copa do Brasil, a sua missão é conquistar pontos suficientes para não cair e focar na Série B, que começa em abril.

Argel é assim. Tem quem gosta dele, tem quem não gosta. Suas coletivas são cheias de frase de efeito. Tem torcedor que ama isso. Eu não contrataria para o meu time, mas admito que, em um mercado limitado a essa altura do campeonato e com o time jogando mal, a saída encontrada pelo Criciúma não é errada. Apesar de investir em um técnico mais caro e perder poder para contratações, um rebaixamento pode ser muito pior.

E que venham as impagáveis coletivas.




terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

A Caça aos Corneteiros

A notícia é, no mínimo surreal. O Joinville vai colocar uma pessoa para filmar as arquibancadas nos jogos do clube para identificar os torcedores mais exaltados (os corneteiros de primeira linha) para identificá-los e convidá-los para uma reunião com o Departamento de Futebol, a fim de esclarecer o que todo mundo já sabe, das dificuldades diante do baixo orçamento do clube.

Sou bem pé no chão quanto à campanha do JEC no Estadual: sem grande expectativa, o objetivo principal do time é a Série C que começa em abril. Há troca de diretoria e a necessidade de engordar o caixa. Além do mais, a montagem do time e os resultados mostram que o tricolor não tem condição de ser campeão estadual. Mas se a prioridade é o Brasileirão, basta não cair que tá tudo certo.

Mas a ideia de monitorar torcedor, não por causa de violência ou desordem, mas para ver quem critica o clube (e paga ingresso ou mensalidade para isso, dentro do seu espaço) é de uma infelicidade tremenda. Aliás, a semana foi de descontrole, com o técnico Rogério Zimmermann se estressando com torcedor e o meio-campo Michel Schmoller, que não começou ontem no futebol, dizer que torcedor não entende de futebol. Pelo amor, vocês são profissionais e sabem como a coisa funciona! O que melhora no ambiente em provocar um torcedor já ferido com temporadas de más notícias? Isso só aumenta a cobrança sobre um time que, mesmo com orçamento limitado, precisa reconhecer que errou nas escolhas, como Evaldo e Dick, só pra citar dois jogadores.

Espero que voltem atrás dessa ideia infeliz. Que já tem repercussão altamente negativa na cidade.


segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

E vem aí o Catarinense pela Internet. Desafio maior é ser rentável

O teste aconteceu no domingo e a iniciativa começa pra valer no dia 4. A Associação de Clubes resolveu transmitir o campeonato em formato pay-per-view com preço bem convidativo.

Não é inédito, mas é ousado. Tenta implantar acesso pago para jogos do Catarinense. Outros estaduais tem transmissões, porém gratuitas e abertas ao mundo.

Não assisti os jogos, mas pelo que pude acompanhar, o produto é bem entregue. Já tive o prazer de trabalhar com a produtora responsável, a Primer, em transmissões que fiz na época da RIC Record. Ali tenho certeza que tá tudo certo. No pacote, a produtora escalou um time de narradores, comentaristas e repórteres da capital, que terão bastante trabalho. No quesito imagem, acho que não haverão problemas. Uma sugestão que deixo é disponibilizar as partidas on demand, pra quem quiser assisti-las em outro horário.

Os preços são bem convidativos, a R$ 9,90 por jogo e R$ 49,90 pelas oito rodadas finais do campeonato. O valor é até simbólico perto do que o Premiere, por exemplo, cobra (aqui no sistema que assino são 64 reais mensais).

Mas tenho uma preocupação grande sobre a rentabilidade deste modelo. Considerando que um jogo tem um custo de produção de aproximadamente 13 mil reais (partidas no Oeste esse valor aumenta por motivos óbvios), essas transmissões precisariam ser bem vendidas.

Vamos a um exemplo. A ideia, divulgada pelos promotores, é de transmitir todos os jogos do campeonato, o que é bem ousado e muito legal, partindo do ponto que todos poderão, enfim, ter acesso ao campeonato todo. Vamos supor então a transmissão de uma partida entre Concórdia e Internacional de Lages, no Oeste, com um deslocamento caro para uma equipe de transmissão. Partindo do preço de quase 10 reais por ponto, seriam necessárias 1300 assinaturas para cobrir o custo de transmissão. Considerando que o Inter, no último jogo, colocou 780 torcedores no Estádio e as médias dos clubes menores do estadio giram em torno dos mil pagantes, teria que haver um esforço gigantesco para conseguir bater a meta para pagar os custos de transmissão. E isso que não estou falando em dinheiro sobrando para os clubes.

É um modelo muito bom, mas é caro. Considere-se ainda a "pirateabilidade" do sistema ( afinal, vivemos no Brasil, onde o número de assinaturas de cabo cai na mesma proporção que sobe o número de "gatos") e as dificuldades conhecidas da estrutura de internet em Santa Catarina, onde nem mesmo as grandes cidades escapam de empresas que prometem uma banda e entregam 10 ou 15% dela (quem não tem fibra ótica em casa pode ter problemas). São desafios a serem superados.

Você pode perguntar: mas Rodrigo, você acha o modelo revolucionário, mas vê problemas nele a ponto de não dar certo? Longe disso. Tudo o que venha a acrescentar e render uma boa grana aos clubes é bem-vindo. Mas imagino que a Associação tenha colocado tudo na ponta do lápis para ter um produto rentável. Eu faria diferente, usando o poder do Youtube e das ferramentas de monetização, além do alcance mundial, para transmitir e difundir o campeonato em plataforma global, com uma grande preocupação comercial em ter cotas de patrocinadores que bancariam o investimento em uma plataforma aberta, em servidor altamente confiável, com acesso fácil em Smart TVs. Foi isso que fizeram Atlético e Coritiba nos clássicos do último campeonato paranaense.

De toda forma, torço pra que dê certo. Não vai ser fácil vencer uma resistência comum a produtos inéditos, mas o mercado está aí para ser conquistado.