sábado, 7 de abril de 2018

Os micos do Campeonato Catarinense 2018

Chegou a hora de uma tradição do Blog.

 Na véspera da decisão, o BdR divulga a sua lista dos micos do Catarinense 2018. Tem de tudo, de troféu feio, caça corneta e até carro maca empurrado. Esse foi um ano repleto de ocorrências, e todo um trabalho meticuloso de seleção teve que ser realizado para escolher o top 10. Vamos á lista!



10 - Cobertura da NSCTV - Depois de conseguir comprar o campeonato pela pechincha de R$ 5,3 milhões, 40% a menos do que o ano anterior, ficou a curiosidade sobre a qualidade da cobertura da afiliada da Globo sob nova direção no Estadual. O resultado foi bem decepcionante. Transmissões sem graça com narrador e comentarista trancados no estúdio (até em jogos em Florianópolis) e, por consequência, sem atratividade. Pelo menos em três transmissões que acompanhei, a empolgação da equipe, em um som baixinho de ambiente, deram sono. A estratégia foi tão ruim que, na confusão de Figueirense x Avaí, Cleiton César não conseguia informar direito o que estava acontecendo por não estar no local e ficar limitado ao quadrilátero da TV. De repente um acadêmico recém-saído da faculdade pode ter boas ideias e coordenar melhor esse departamento. Só olhar o que os vizinhos do RS fizeram.

9 - Premiere vende pacotes, sem ter os direitos: Alegando dificuldades financeiras, o Premiere não fechou acordo para a transmissão do catarinense em Pay-per-view, vindo a despertar a criação do FC Play no returno. Mas, mesmo sabendo disso, a emissora colocou nas redes ações de venda de pacotes. Muita gente cancelou pacote. Essa negociação até hoje não foi bem esclarecida.






8 - Hino do Hercílio Luz no Estádio do Tubarão: o cara que cuida do sistema de som do estádio Domingos Gonzales, em Tubarão, é louco e não tem amor pela vida. No jogo contra o Brusque, pelo primeiro turno do Estadual, o cidadão saudou a chegada tocando no sistema o hino... do Hercílio Luz. Para comprovar que ele estava fora de si, depois das vaias, tocou... o hino do antigo Tubarão Futebol Clube. Consegui ver da cabine ele sendo cumprimentado pelos torcedores.

7 - Carlos Alberto, a furada do ano: em Brusque x Concórdia, o inoxidável Carlos Alberto foi protagonista de uma cena histórica. Ao tentar um cruzamento pela direita, Carlinhos foi com vontade demais na bola e acabou cometendo um furo histórico que correu o mundo. Boa praça do jeito que é, ele deu risada da própria desgraça. Como o time ganhou o jogo, tava tudo certo.

6 - Sportv passa o Catarinense de graça - Que a SC Clubes nunca foi um modelo de organização, principalmente no assunto direitos de transmissão, isso ninguém discute. São campeões em pataquadas e já tomaram até processo milionário por causa disso. Esse ano, inovaram: deram à FCF a procuração para fechar contrato com a Globosat para exibir cinco jogos do catarinense totalmente de graça, sem dar um centavo para clube algum. Desses cinco jogos, o Sportv só passou quatro. O último, entre Concórdia x Figueirense, só foi exibido na internet por falta de interesse. Considerando que a TV Aberta teve redução substancial de cota e a TV Fechada foi gratuita, o ano foi de uma das menores arrecadações em direitos para os clubes.

5 - O torcedor é leigo - Mico para o volante Michel Schmoller, do Joinville, que conseguiu aumentar ainda mais a raiva do torcedor tricolor. Após o empate com o Tubarão, na Arena, Michel foi entrevistado e tratou de dizer que torcedor não tem conhecimento para reclamar: "Quem tá fazendo isso, são pessoas leigas no assunto. Não vou falar a palavra do português correto porque fica feio. Eu sinto pelo futebol ter esse tipo de torcedor. Quem entende de futebol sabe que jogar com um a menos é difícil. Eu fico triste por torcedores que são leigos no futebol". No mesmo jogo, o técnico Rogério Zimmermann, que acho que tem parafuso a menos, chamou torcedor para a Briga. Foi demitido dias depois.

4 - O regulamento: O mais engraçado sobre a questão do malfeito regulamento do Catarinense 2018 é que, depois de toda a comprovação do fracasso, ninguém quer ser o pai da criança. Pior: o diretor jurídico da FCF, Rodrigo Capella, já encontra caminhos legais para justificar uma mudança de regulamento no ano que vem. E teve mais: a Federação, sabedora que a Chapecoense teria Libertadores para jogar, colocou o time do Oeste para atuar três vezes em cinco dias, contrariando o regulamento que ela mesma publicou. Todos concordam que essa fórmula não deu certo. E não foi por falta de aviso lá no ano passado.

3 - Os caça-cornetas: Esse é o ano do JEC na lista. Eis que o clube teve uma "brilhante" ideia para perseguir os torcedores revoltados que desferiam a sua ira sobre o time, que só se recuperou no campeonato na reta final. Em uma conversa com a imprensa, o então gerente de futebol Carlos Kila revelou que o Joinville iria colocar câmeras nos jogos para filmar a torcida, com o objetivo de detectar os mais exaltados e convidar para uma conversa. O serviço chamado de "caça-corneta", pegou mal, como não poderia deixar de ser, e a diretoria tricolor teve que desmentir a toque de caixa. Kila seria demitido dias depois, junto com Rogério Zimmermann.

2 - O carro-maca: Quando a fase não é boa, até o carro-maca ajuda a conspirar. Na partida contra o Avaí, na Arena, o veículo que serve pra transportar os lesionados atolou no meio do gramado. Apressados por causa do tempo (o jogo terminou 2 a 0 para os visitantes), os jogadoes ajudaram a empurrar o carrinho pra fora. A cena viralizou e ficou marcada como mais um momento da era Rogério Zimmermann no clube.


1 - O troféu: Estaduais por aí tem taças bonitas, naquele formato tradicional, que chamam atenção na sala de conquistas. Aqui em Santa Catarina, tudo tem que ser diferente: a Federação entrega ao patrocinador do campeonato o direito de confeccionar o troféu, e corre o risco de acabar tendo que entregar um souvenir ao invés de uma taça. Já tivemos carro de plástico, Policial de ferro, tampa de pepino e estátua da liberdade. O desse ano é mais uma obra prima: uma estrela de acrílico confeccionada pelo Angeloni, que recebeu apelido de "troféu de funcionário do mês". Com certeza, um item de mal gosto que não diz jus a um título de campeão estadual. Só dar uma olhadinha nos troféus dos outros estaduais. Pelo amor de Deus, né!

domingo, 1 de abril de 2018

Não é só a Fórmula: o Campeonato Catarinense precisa de muito mais

Neste sábado, na abertura da última rodada do campeonato catarinense, oitenta e poucas testemunhas estiveram no Estádio Municipal de Concórdia para assistir o time da casa contra o Figueirense, jogo que não valia absolutamente nada. Recorde negativo e histórico da primeira divisão.

Não dá pra colocar só a culpa na fórmula, apesar dela ser um fator importantíssimo, sendo aprovada pelos clubes com o aviso de muitos que iria dar problemas com interesse nas últimas rodadas. A média vai despencando, e vai dar uma segurada com os 20 mil previstos para o jogo único da decisão. É até engraçado: ninguém quer ser o pai da criança de uma fórmula mal feita e o diretor jurídico da FCF, que é remanescente da antiga gestão, já busca um jeito de agir, dentro da lei, para mudar o regulamento do ano que vem.

O caso de Concórdia meio se explica por outros fatores: a cidade historicamente prefere futsal a futebol (em algumas cidades do Oeste isso é muito forte. Joaçaba, por exemplo, que é um pólo regional, resolveu até demolir o estádio), e isso reflete na própria sustentabilidade do negócio futebol. O time já estava mal, caiu, tempo ruim, transmissão ao vivo na internet, pessoal não vai mesmo.

O Campeonato Estadual em si foi um fracasso de divulgação, mesmo com a SC Clubes enchendo o peito por causa do FC Play, que pagou o preço dos problemas técnicos (particularmente tive dois, com um Hercílio x Brusque que perdi o segundo tempo e uma quarta-feira que o suporte me deu a senha aos 40 minutos do segundo tempo de JEC x Figueirense) e uma rentabilidade bastante questionável. Que divulgação usaram pra divulgar o serviço? Apenas as redes sociais dos clubes. Nem uma placa, nem o espaço publicitário que eles tem direito por contrato na detentora dos direitos.

Duvido que serão divulgados os números reais das vendas dos pacotes. Fonte do Blog informa que os números foram bem preocupantes. Um dirigente de clube ouvido por mim disse ter medo de ter que "pagar a conta" das vendas que acabaram não se concretizando. Uma transmissão só não é barata. Imagine então três, quatro, por rodada. A ideia é excelente, eu usaria outro formato para capitalizar mais. Mas faltou divulgação melhor do FCPlay.

A detentora dos direitos, que conseguiu comprar o campeonato pela pechincha de 40% de desconto em relação ao ano passado, pouco fez para divulgar seu produto. Apenas um VTzinho de "vá ao estádio" veiculado em alguns breaks nas afiliadas regionais. Apenas como comparação, a RBS, que pagou muito mais pelos direitos do Gauchão, fez cobertura bem mais ampla. Não havia repercussão: muitos jogos no interior não tinham sequer repórter para "fechar um VT" sobre a partida. O programa diário não trazia matérias aprofundadas. As transmissões, um capítulo a parte, foram fracas, com narrador e comentarista presos no ar condicionado do estúdio mesmo em jogos na Capital, em uma transmissão fria, com qualidade técnica abaixo das transmissões da Globo em SP e RJ, que não convidava o torcedor a permanecer vendo o jogo. Cleiton César que o diga, ficando sem muito o que falar na confusão em Figueirense x Avaí, já que seu ângulo de visão estava limitado às 40 polegadas do monitor que estava a sua frente. Se estivesse na cabine, com certeza conseguiria trazer muito mais detalhes do que estava acontecendo. Mora em Chapecó e pegava um avião pra ir a Florianópolis transmitir um jogo que acontecia perto da sua casa.

Tem também o troféu, uma peça publicitária sem graça que faz nosso catarinense passar vergonha diante do que será dado ao campeão em outros Estados. Aqui, o erro é da Federação, que deixa o patrocinador fazer o troféu e tem que aceitar estátuas, tampas de pepino e, agora, uma estrela de plástico. Não sei por que é tão complicado fazer um troféu bonito, que tenha destaque em uma sala de troféus. O nome do patrocinador pode ser colocado em um selo na base.

O Campeonato Catarinense 2018, como produto, foi isso: começou com pompa e um discurso revolucionário. Terminou com fracasso de público, todo mundo criticando a fórmula e louco pra que acabe logo.


* Observação: Fonte do Blog diz que o argumento oficial da coordenação de esportes da NSCTV para os offtubes no Estadual é a segurança técnica para evitar algum problema, o que é uma tese que não se sustenta, pelo fato do narrador poder ser traído por um erro do Diretor de TV, coisa que aconteceu recentemente em um jogo do Vasco pela Libertadores, onde o corte saiu errado e o narrador ficou em fria. A verdade é que se faz uma economia burra, que prejudica o próprio produto, dando resultados negativos no Ibope.